Há aproximadamente 8 milhões de anos, a Amazônia abrigava um predador aquático que superava em letalidade o próprio Tiranossauro Rex: o Purussaurus brasiliensis. Esse jacaré gigante media 12,5 metros de comprimento, pesava 8,5 toneladas e teve seu fóssil descoberto em 1892 pelo cientista brasileiro Barbosa Rodrigues.
Um estudo recente estimou pela primeira vez as dimensões e a fisiologia desse réptil pré-histórico e confirmou que ele ocupava o topo da cadeia alimentar no final do Mioceno. Estudos detalhados do crânio revelaram uma estrutura única.
O crânio media 1,5 metro de comprimento e tinha formato curto e robusto, com narinas amplas que dissipavam o impacto da mordida sem prejudicar o animal. Essa conformação permitia uma força de mordida estimada em 7 toneladas, duas vezes maior que a do Tiranossauro Rex, e fazia do animal o principal predador de sua época.
O Purussaurus brasiliensis na Amazônia pré-histórica
A paleontóloga Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse à BBC que o Tiranossauro não sobreviveria a um confronto direto. Segundo a pesquisadora, o Purussaurus vivia em pântanos, ambiente que lhe dava vantagem territorial, e ancestrais dessa linhagem foram predadores de Tiranossauros.
Essa comparação funciona apenas como projeção teórica, já que o Purussaurus viveu mais de 50 milhões de anos após a extinção do dinossauro. O jacaré gigante consumia pelo menos 40 quilos de alimento por dia, 15 vezes mais que os jacarés modernos. Sua dieta incluía peixes, tartarugas-gigantes, aves, crocodilos e mamíferos pré-históricos, como preguiças-gigantes e roedores que compartilhavam os rios e pântanos do norte da América do Sul.
Comportamento de caçador eficiente
Assim como seus parentes atuais, o Purussaurus provavelmente afogava as presas e depois as despedaçava com movimentos de giro, engolindo os fragmentos inteiros. Aperfeiçoada ao longo de milhões de anos de evolução, essa técnica tornava a caça eficiente em seu habitat aquático e pantanoso.
Na Serra da Capivara, no Piauí, evidências fósseis incluem réplicas de preguiças-gigantes com mais de 6 metros de altura, expostas no Museu da Natureza.
Desaparecimento na amazônia antiga
A elevação constante da Cordilheira dos Andes provocou mudanças drásticas no clima e no sistema hídrico amazônico. Com isso, o espaço disponível para os animais diminuiu, e grandes predadores como o Purussaurus enfrentaram dificuldades crescentes para sobreviver. Animais menores se adaptaram com mais facilidade às novas condições e sobreviveram nos séculos e milênios seguintes.










