Um tubarão-da-Groenlândia morto foi encontrado em abril de 2026 em uma praia do condado de Sligo, no litoral oeste da Irlanda, espécie que nunca havia aparecido encalhada naquela região. Com cerca de 3 metros de comprimento, o animal tinha mais de 150 anos — para os padrões da espécie, ainda considerado jovem.
Esse tubarão é o vertebrado mais longevo já identificado no planeta, com estimativas de vida que chegam a superar os 400 anos. A bióloga marinha Emilie De Loose, do Grupo Irlandês de Baleias e Golfinhos, lamentou que o animal tenha levado 150 anos só para atingir a idade reprodutiva. Sem garantia de ter chegado a se reproduzir.
Um corpo que guarda séculos de História
A duração exata da vida da espécie ainda divide pesquisadores, com estimativas que vão de aproximadamente 300 a 500 anos. Segundo De Loose, o achado impressionou o grupo pela dificuldade de imaginar tudo o que aquele animal pode ter testemunhado ao longo de tantas décadas no fundo do mar.
A morte do tubarão, apesar de lamentável para a conservação da espécie, abriu uma chance rara de estudo. A necropsia realizada depois do encalhe permitiu examinar de perto um animal que raramente é visto fora das profundezas geladas onde vive.
O desafio de examinar o gigante
Jasmine Stavenow Jerremalm, doutoranda em ecologia marinha na University College Cork, participou do exame e descreveu a proximidade com animais mortos como uma forma íntima de conhecer melhor a espécie viva. Segundo ela, um corpo como esse revela informações que dificilmente seriam obtidas de outra maneira.
Levar o animal até um laboratório já foi tarefa complexa: tubarões-da-Groenlândia estão entre os maiores do mundo, podendo chegar a 5 metros de comprimento, e o exemplar da praia pesava mais de 200 quilos. No local, o corpo foi coberto com algas marinhas para evitar que gaivotas e outros animais o atacassem antes da remoção.
Resgate, transporte e protocolos de segurança
No dia seguinte, uma operação coordenada pelo Museu Nacional da Irlanda usou um guindaste para içar o tubarão e colocá-lo na carroceria de um caminhão, rumo a um laboratório veterinário regional. Já protegida por máscaras, luvas e macacões, uma equipe de diferentes instituições, incluindo o museu, iniciou o exame em um espaço bem ventilado.
Stavenow Jerremalm explicou que animais tão antigos podem abrigar de tudo em seus tecidos, o que exige seguir protocolos rígidos de saúde e segurança durante a manipulação. Bactérias ou vírus de períodos muito distantes poderiam, em tese, estar presentes em um corpo que atravessou tantas gerações.
Mistérios que ainda resistem à ciência
A pesquisadora reforçou que a causa da morte do animal permanece desconhecida, assim como eventuais doenças que ele pudesse carregar. Essa incerteza é parte do que torna o estudo de exemplares como esse tão delicado e, ao mesmo tempo, tão valioso para o conhecimento da espécie.
Estudos conduzidos pela Universidade de Basileia têm buscado entender melhor os mecanismos biológicos por trás dessa longevidade extrema. O tubarão-da-Groenlândia continua sendo um dos maiores enigmas da vida marinha. E cada encalhe como o de Sligo ajuda a preencher lacunas sobre como ele resiste a séculos nas águas geladas do Atlântico Norte.










