A enchente mais devastadora do rio Yangtzé ocorreu em 1931. Ela cobriu mais de 30 mil quilômetros quadrados, matou aproximadamente 3,7 milhões de pessoas e deixou 40 milhões desabrigadas.
O Yangtzé, também chamado de Chang Jiang ou “Rio Longo”, é o rio mais extenso da Ásia e o terceiro mais extenso do mundo. Ele percorre aproximadamente 6.300 quilômetros pela China, e sua bacia hidrográfica concentra quase um terço da população chinesa e funciona como o celeiro agrícola do país.
Desde tempos remotos, as enchentes no rio causaram destruição em massa e perdas de vidas sem precedentes. A tragédia de 1931 permanece entre os piores desastres naturais já registrados na história da humanidade e deixou cicatrizes que atravessaram gerações na memória coletiva chinesa.
Por que as enchentes atingem o curso inferior do rio
As inundações do Yangtzé ocorrem periodicamente entre março e outubro, quando as chuvas de monção atingem as bacias média e inferior do rio. A região mais vulnerável fica a jusante da Barragem das Três Gargantas, onde o terreno é baixo e há muitos lagos e córregos.
Nessas áreas, a correnteza desacelera significativamente ao chegar às planícies e acumula sedimentos no leito. Esse acúmulo eleva gradualmente o fundo do rio e reduz sua capacidade de escoamento. Ao longo da história, o problema se agravou porque esses depósitos de sedimento nunca foram totalmente removidos.
O desmatamento nas encostas de cabeceira agrava o quadro ao reduzir a capacidade do solo de absorver chuvas intensas. Com isso, aumenta o escoamento superficial, que desce diretamente para o leito sem ser contido pela vegetação.
Impactos humanos e ambientais
Além das 3,7 milhões de mortes registradas em 1931, a enchente deixou traumas duradouros nas cidades ribeirinhas. Centros urbanos importantes como Nanquim e Wuhan enfrentam inundações periódicas que destroem colheitas, habitações e infraestrutura essencial. Quando o baixo Yangtzé recebe chuvas intensas e prolongadas, as consequências são catastróficas.
Os impactos ambientais também atingem o rio, e a perda de cobertura vegetal e o pastoreio excessivo aumentam a erosão do solo e levam mais sedimentos para o leito. A redução de lagos e pântanos, eliminados para a ocupação humana, remove as barreiras naturais que historicamente controlavam o avanço das águas.
Mudanças no fluxo afetam espécies ameaçadas, como o jacaré chinês e o esturjão chinês, que dependem dos ciclos naturais do rio para sobreviver.
Da engenharia tradicional ao controle moderno
Entre os esforços históricos de contenção está o Grande Dique Jinjiang, concluído em 1548 e considerado um avanço significativo para a época. Após a catástrofe de 1931, diques mais robustos foram construídos e mantidos. A Barragem das Três Gargantas foi erguida especificamente para controlar as inundações do Yangtzé, e em 2010, a estrutura conteve uma enchente importante.
Mesmo essa estrutura tem limitações, e durante períodos de chuva extrema, a barragem precisa abrir as comportas para aliviar a pressão da água. Essa medida pode provocar inundações e deslizamentos de terra a jusante. As medidas modernas incluem melhorias na drenagem, reflorestamento das encostas e proteção das zonas úmidas remanescentes.
As enchentes de 1954, 1998, 2010 e 2020 mostram que controlar as inundações continua sendo um desafio, mesmo com estruturas como a Barragem das Três Gargantas.










