Ainda aos 23 anos, Eike Batista abandonou o curso de engenharia que fazia na Alemanha e retornou ao Brasil. Foi nesse período que começou a atuar no comércio de ouro, fazendo a ligação entre garimpeiros da região amazônica e compradores de grandes centros comerciais.
O negócio cresceu e levou o empresário a mudar de estratégia. Em vez de atuar apenas como intermediário, Eike passou a investir diretamente na mineração, movimento que exigiu mais capital, equipamentos e planejamento.
A trajetória empresarial seria marcada por projetos de grande porte e uma rápida expansão internacional. Anos depois, porém, a sequência de investimentos daria lugar a dificuldades financeiras, falências e processos judiciais.
Do ouro ao minério de ferro
Eike ganhou projeção internacional por meio de investimentos na TVX Gold, empresa canadense com ações negociadas na Bolsa de Toronto. A experiência ampliou seu acesso a investidores estrangeiros e abriu caminho para novos projetos de mineração.
Nos anos 2000, o empresário voltou sua atenção para o minério de ferro. Foi nesse contexto que surgiu a MMX, criada para desenvolver projetos de extração e também a infraestrutura necessária para transportar a produção até os portos de exportação.
Em 2007, um acordo com a Anglo American garantiu à MMX 49% de participação no projeto Minas-Rio. O empreendimento envolvia uma operação de mineração, uma rede logística e um terminal portuário no Rio de Janeiro.
No ano seguinte, a Anglo American desembolsou cerca de US$ 5,5 bilhões para adquirir participações em projetos da MMX, reforçando a percepção de que os negócios de Eike tinham grande potencial de crescimento.
O auge e a queda
Em 2012, Eike Batista chegou a acumular uma fortuna estimada em cerca de US$ 30 bilhões. Naquele momento, era considerado o homem mais rico do Brasil e chegou a ocupar uma das primeiras posições entre os bilionários do mundo.
A situação mudou rapidamente quando empresas do grupo passaram a enfrentar problemas operacionais e financeiros. A OGX, principal companhia de petróleo do empresário, não conseguiu entregar os resultados esperados, desencadeando uma crise que atingiu todo o conglomerado.
Processos e condenação
A derrocada levou a falências e processos judiciais. Eike foi condenado a mais de uma década de prisão por crimes relacionados ao mercado de capitais, incluindo acusações de manipulação de informações para enganar investidores sobre a situação de seus negócios.
O empresário também respondeu a processos administrativos na Comissão de Valores Mobiliários. Posteriormente, firmou um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, alterando sua situação judicial.
A trajetória de Eike Batista passou, assim, do auge entre os maiores bilionários do mundo para uma das quedas empresariais mais marcantes do Brasil.










