Em Cadarache, no sul da França, o projeto ITER iniciou a montagem final da câmara de vácuo do maior reator experimental de fusão nuclear já construído. O avanço marca uma das etapas mais delicadas de um empreendimento que reúne mais de 30 países e levou décadas de design e cooperação internacional para chegar até aqui.
O objetivo é demonstrar se a fusão nuclear pode se tornar uma fonte de energia limpa e viável em larga escala, reproduzindo na Terra o mesmo processo que alimenta o Sol.
O que é o ITER
O ITER não é uma usina elétrica, mas um gigantesco laboratório projetado para provar que a fusão nuclear funciona em escala industrial. A câmara central do reator, chamada de vacuum vessel, é composta por nove seções de aço fabricadas com tolerâncias milimétricas. Em conjunto, essas peças superam 400 toneladas.
A montagem exige robôs de alta precisão, sistemas a laser e monitoramento constante. Qualquer desvio mínimo poderia comprometer a estabilidade do plasma. Um consórcio industrial internacional coordena a instalação.
Como funciona a fusão nuclear
O ITER foi projetado para fazer átomos leves de hidrogênio se fundirem e liberar grandes quantidades de energia. O plasma atingirá 150 milhões de graus Celsius, temperatura muito superior à do núcleo solar, mantido suspenso por campos magnéticos que impedem o contato com qualquer superfície sólida.
A fusão se diferencia da fissão usada nas usinas atuais. Não emite carbono, não gera resíduos radioativos de longa duração e usa combustível praticamente ilimitado, com risco menor de acidentes catastróficos. Por isso, muitos cientistas a consideram a fonte de energia do futuro.
Desafios tecnológicos
Controlar plasma em temperaturas extremas exige coordenação entre imãs supercondutores, sensores térmicos e magnéticos em tempo real, sistemas de contenção redundantes e protocolos automáticos de desligamento diante de qualquer anomalia.
O principal desafio é manter o plasma estável por períodos prolongados, algo apenas parcialmente alcançado em reatores menores. Se o ITER demonstrar que a fusão é viável em larga escala, cientistas avaliam que o caminho estaria aberto para reatores comerciais capazes de abastecer cidades inteiras sem emissão de poluentes.










