A Chevrolet está encerrando sua operação no mercado chinês após cerca de três décadas de presença no país. A marca deixará de vender veículos novos na região depois do fim dos estoques atuais, em um movimento provocado pela queda nas vendas e pela forte disputa com fabricantes locais de carros eletrificados.
A decisão faz parte de uma mudança na estratégia da General Motors. O grupo pretende concentrar investimentos na China em marcas como Buick e Cadillac, voltadas a segmentos de maior valor, enquanto Baojun e Wuling atendem ao mercado de veículos mais acessíveis.
Queda nas vendas
A Chevrolet perdeu espaço rapidamente no mercado chinês. Os emplacamentos chegaram a ficar abaixo de 1.500 unidades por mês, uma redução de 84% em relação ao período anterior.
O Monza, um dos principais modelos da marca no país, não conseguiu conter a retração mesmo com versões equipadas com tecnologia híbrida. A concorrência de fabricantes chinesas, especialmente no segmento de veículos eletrificados, aumentou a pressão sobre as marcas tradicionais.
A saída da Chevrolet ocorre em um mercado que passou por uma transformação acelerada nos últimos anos. Empresas chinesas ampliaram a oferta de carros elétricos e híbridos e passaram a disputar também segmentos antes dominados por montadoras estrangeiras.
Efeito no Brasil
A mudança também afeta projetos desenvolvidos para o mercado brasileiro. A atual geração do Onix e do Tracker foi criada dentro de uma estratégia global da GM que envolveu as operações brasileira e chinesa e resultou na plataforma GEM.
Os dois modelos tiveram desempenho muito diferente nos dois países. Enquanto Onix e Tracker se consolidaram entre os veículos mais vendidos do Brasil, não alcançaram o mesmo resultado na China.
Com a perda de escala da operação chinesa, o desenvolvimento de novas gerações de modelos compactos ficou mais complexo para a GM. A empresa passou a buscar alternativas para compartilhar custos e tecnologias.
Uma das frentes é a parceria firmada com a Hyundai. O acordo prevê o desenvolvimento conjunto de veículos e o compartilhamento de tecnologias entre as duas montadoras.
A reestruturação ainda deverá alterar o portfólio das empresas nos próximos anos.










