Equilíbrio vira estratégia para aprovação no vestibular
Para psicóloga escolar, descanso e convívio social não são pausas no estudo, mas sim parte dele
Publicado: 21/07/2026 às 15:02
Um cérebro bem regulado funciona de maneira mais eficiente para aprender e absorver conteúdo, ressalta a psicóloga (Divulgação/Colégio GGE)
Enquanto muitos vestibulandos acreditam que o isolamento é indispensável para conquistar a aprovação, Henrique Malta, de 17 anos, seguiu um caminho diferente. Em vez de abrir mão do esporte, dos amigos, do sono e dos momentos de descanso, ele incorporou esses elementos à sua rotina de estudos.
“Quanto mais estresse, pior é seu resultado”, diz o aluno do Colégio GGE. “Não queria resumir minha vida a estudar. Sou uma pessoa, não uma máquina”, pontua. O resultado foi a conquista do primeiro lugar geral em Medicina na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
A psicóloga da escola, Maria Eduarda Vaz, explica que o raciocínio tem fundamento. Um erro comum entre vestibulandos, segundo ela, é usar períodos de folga para tentar recuperar em poucas semanas o que não foi estudado durante o semestre. O sono, frequentemente subestimado, também é central: é durante ele que o cérebro consolida o que foi aprendido.
“O cérebro e o emocional precisam de pausa para se regenerar. Sem esse descanso, a memória, a concentração e a capacidade de absorver conteúdo ficam comprometidas”, afirma.
Henrique aplicou isso na prática. Além do esporte e do convívio social, ele manteve atenção à rotina dentro da sala de aula, algo que, segundo ele, muitos negligenciam. O material didático do colégio e os simulados completavam a preparação, sem grandes segredos.
Segundo Maria Eduarda, um cérebro bem regulado funciona de maneira mais eficiente para aprender e absorver conteúdo, já que a aprendizagem depende diretamente do estado emocional do estudante, a qualidade do estudo importa mais do que a quantidade de horas. Recorrer ao celular como descanso, por exemplo, fragmenta a atenção em vez de restaurá-la. “O uso de telas hiperestimula e vai de encontro com o que o estudo demanda, que é concentração e foco”, diz.
“Muitos sentem culpa ao sair com amigos ou descansar, como se estivessem desperdiçando tempo. Esse é um dos primeiros sinais de que algo está fora do lugar”, alerta a psicóloga. Outros indicadores de sobrecarga incluem cansaço persistente mesmo após dormir, alterações no sono e na alimentação, irritabilidade e sintomas físicos como dores de cabeça e tensão constante.
Henrique também passou por olimpíadas de conhecimento durante a trajetória escolar, diz que o processo moldou seu caráter antes de qualquer resultado. E o conselho que deixa para quem quer chegar onde ele chegou resume bem a filosofia: “Façam terapia, mantenham relações com quem vocês amam, façam atividade física. Mas sempre focados nos objetivos”, afirma.
Resultado consistente
O GGE registrou 18 aprovações na Unicap e outras 18 na Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) no mesmo processo seletivo. Em 2025, foram 219 aprovações em medicina. Para o coordenador do GGE, Tiago Pereira, os números refletem uma preparação que vai além do conteúdo. “O acompanhamento próximo ao longo de toda a trajetória do aluno faz parte do nosso projeto pedagógico”, afirma.
Entre as ferramentas estão a Bússola, sistema de plano de estudo individualizado a partir do desempenho no simulado do Enem, orientação de carreira e a turma MED, com aprofundamento em Ciências da Natureza e Matemática para cursos de alta competitividade.
“O vestibular é uma maratona. Quem gasta toda a energia no começo dificilmente chega ao final. É preciso ter constância, atravessada por descanso e momentos de convívio”, finaliza Maria Eduarda.