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Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Quarto Mandato

Histórico pesa: PCdoB deve ficar na Esplanada, mesmo se João Campos for indicado

Assim que o nome do socialista surgiu cotado, circulou, nos bastidores, que Luciana Santos poderia assumir alguma estatal, mas a lei veda. O partido, presidido nacionalmente por ela, comandou ministérios em todas as gestões petistas à frente do Governo Federal

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 07/11/2026 às 04:03

À frente do MCTI, Luciana Santos é aliada de primeira hora do presidente Lula/Ricardo Stuckert/PR

À frente do MCTI, Luciana Santos é aliada de primeira hora do presidente Lula (Ricardo Stuckert/PR)

Assim que o nome do presidente nacional do PSB, João Campos, apareceu cotado para comandar o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), em paralelo, nos bastidores, naturalmente, brotaram interrogações sobre o destino da atual titular da pasta, Luciana Santos. Automaticamente, se ventilou que ela, aliada de primeira hora do socialista, poderia ser indicada para alguma estatal, eventualmente, o que implicaria deixar a Esplanada dos Ministérios. O detalhe é que, a despeito dos rumores vigentes no próprio conjunto da Frente Popular, essa não seria uma equação possível em função da Lei das Estatais.

Leia-se: na condição de presidente nacional do PCdoB, Luciana teria que obedecer a um intervalo de 36 meses para assumir um espaço desse. Foi em razão disso, que, por exemplo, o ex-governador Paulo Câmara, hoje à frente do Banco do Nordeste, se desfiliou do PSB. A Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016) exige uma quarentena de três anos para que pessoas que atuaram em estruturas decisórias de partidos políticos ou em campanhas eleitorais possam assumir cargos de diretoria ou de conselho de administração em empresas públicas e sociedades de economia mista, a chamada “quarentena política”.

O outro ponto que ganha relevo é o peso que o PCdoB, partido comandado nacionalmente por Luciana, sempre teve nas administrações do PT à frente do Governo Federal. Em todos os governos petistas, desde que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República, passando pela gestão Dilma Rousseff, o PCdoB esteve à frente de ministérios. Orlando Silva, por exemplo, foi ministro do Esporte entre 2006 e 2011 (nos governos Lula e Dilma Rousseff), período crucial de articulação para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. E, mesmo diante da saída de Orlando, quem assumiu a pasta foi o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, até então, filiado ao PCdoB. Aldo permaneceu à frente do ministério até 2014, assumindo posteriormente o MCTI e, depois, o Ministério da Defesa.

Como definem governistas, “o PCdoB subiu a rampa com Lula, desceu com Dilma em 2016 e subiu de novo, em 2023”. Somado ao que já testemunha a linha do tempo, há quatro anos, quando Luciana assumiu Ciência e Tecnologia, a sigla contabilizava seis deputados federais, mas obteve, no pleito deste ano, seu melhor resultado desde 2014, conquistando 11 cadeiras na próxima legislatura.

Auxiliares do presidente Lula preveem que ele abra a temporada de definições em relação aos ministros de seu quarto mandato na volta da viagem à Turquia e às Filipinas, o que está previsto para 16 de novembro. Ainda nas hostes governistas, uma bolsa de apostas dá conta do seguinte: “É muito improvável que o PCdoB não esteja na Esplanada”.


Haverá...

Após aprovar, em reunião da executiva nacional, nesta sexta-feira (06), o ingresso do PDT na federação com Solidariedade, PRD e Avante, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, avisou: “Prosseguiremos com as discussões para agregar o PSB. São partidos que comungam de valores semelhantes e podem caminhar juntos nos próximos anos”. No ninho socialista, se diz que as costuras estão “conversadas”. O colegiado também deliberou o indicativo favorável à inclusão do PSB na associação partidária.

...sinais

Em Pernambuco, PRD e Solidariedade apoiaram a candidatura de João Campos ao Governo do Estado no pleito deste ano. Nacionalmente, as duas siglas mantêm diálogo aberto com o PSB e seu presidente nacional. Na leitura de socialistas, o PDT segue em sintonia com os planos de união entre as duas legendas.

Pontos de Vista

No PDT, há uma ala avaliando que o passo dado pela legenda, nesta sexta-feira (06), faz ela chegar “diante do PSB com tamanho significativo”. Outra ala vê a composição com PRD, Solidariedade e Avante tornando “a vinda do PSB uma opção mais longínqua”. A conferir.

Último romântico

No campo da direita, se observa que o senador Rogério Marinho é uma figura jeitosa para as articulações, “um cara da política”, mas que, por vezes, é de um “romantismo exarcebado” na defesa de pautas sem apelo popular. Citam a argumentação intensa feita por ele internamente, ainda na campanha de Flávio Bolsonaro, da qual foi coordenador, no sentido de manter posição contrária ao fim da escala 6x1. Correligionários, nas coxias, indagaram: “Quer pedir para todo mundo morrer é?!”. 


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