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Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Crise no STF

"Trazer Lula para contenda foi o golpe", diz líder do governo no Senado

Atingir indicação direta do presidente na PF é forma de lançar, no colo dele, a crise entre Mendonça e Moraes, alerta Teresa Leitão

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 09/09/2026 às 00:00

Lula age para contornar crise no STF. Líder do Governo, Teresa Leitão avalia cenário/Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado

Lula age para contornar crise no STF. Líder do Governo, Teresa Leitão avalia cenário (Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado)

Antes de o conflito institucional se agravar, no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (08), no Governo Federal, se fazia uma avaliação de que, até então, “estava cada um no seu quadrado”. Leia-se: Lula não havia ainda sido puxado exatamente para arena da crise que atinge o STF.

A decisão do ministro André Mendonça, no entanto, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mudou a temperatura e as avaliações internas no PT. Ainda que não se verbalize isso, uma contaminação eleitoral mais nítida nas movimentações de ministros da suprema corte passou a ser considerada.

Há quem avalie que André Mendonça avançou no sentido de cravar uma atuação eleitoral no processo. Em outras palavras, se faz uma conta, nas coxias, de que Mendonça agiu para transferir a crise entre ele e o ministro Alexandre de Moraes para o colo do presidente Lula.

Afastar um nome da indicação direta do presidente da República, desencadeando crise na PF, equivale a atropelar prerrogativa constitucional privativa do chefe do Planalto e, consequentemente, arrastá-lo para o debate. Líder do Governo no Senado, Teresa Leitão, indagada pela coluna, não se furta a avaliar a situação e admite repercussões eleitorais, mas evita detalhar.

“Qual foi o golpe deles? Trazer Lula para contenda”, resume a senadora sem se estender, mas também sem arrodear sobre os impactos das últimas movimentações, derivadas do STF, no calendário eleitoral.

Teresa sinalizou ainda para a reação do governo no sentido de recorrer da decisão do ministro André Mendonça, o que a Advocacia-Geral da União (AGU) consolidou no início da noite. Assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção da AGU, a peça sustenta "a existência de grave lesão à ordem pública e administrativa". 

Em busca de equacionar a crise institucional, Lula não interromperá as andanças pelo País, mas precisou tirar um tempo para se debruçar sobre o imbróglio. Ainda ontem, requisitou a presença do presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, em Brasília.

O parlamentar tinha agenda em Pernambuco com o setor sucroalcooleiro e acabou impedido de comparecer. Naturalmente, os respingos da crise atingem diretamente o governo em meio à campanha eleitoral. Os efeitos começam a ser sentidos até mesmo por aliados, que aguardam a presença do líder-mor do PT em suas campanhas.

Motta chamado por Lula

Presidente da Câmara Federal, Hugo Motta receberia homenagem, em Pernambuco, nesta terça (08), do setor sucroalcooleiro na Associação dos Fornecedores de Cana. Requisitado, no entanto, pelo presidente Lula, acabou indo para Brasília e foi representado, no Recife, pelos deputados federais Augusto Coutinho e Lula da Fonte. A homenagem a Hugo Motta tinha a ver com subvenção econômica articulada por ele para produtores de cana-de-açúcar do Nordeste.

Pente...

Integrantes da Frente Popular apontaram alguns tópicos da pesquisa Quaest, divulgada nesta terça-feira (08), como elementos positivos e aguardados para atual fase da campanha. Entre eles, a oscilação positiva do socialista na espontânea. Ele figura, agora, com 24% (tinha 22%). Raquel Lyra pontua 33% (tinha 33%). Na pergunta sobre qual seria o candidato de Lula em Pernambuco, João Campos aparece com 57%.

...fino

A leitura, na campanha, é de que isso sinaliza para margem para crescimento dentro do seguimento do eleitorado do petista, ainda aguardado em visita ao Estado. A outra variável tida como positiva na Frente Popular foi a oscilação da rejeição. Na pergunta “conhece e não votaria”, João Campos pontua 38% (eram 40%).

Sinal verde

Na campanha de Raquel Lyra, também se comemorou, na amostra atual, “a menor rejeição, com 34% (eram 34%), enquanto João Campos aparece com 38%”. No conjunto da governadora, se realçou ainda “a liderança em todos os cenários” e o fato de que, “considerando apenas os votos válidos, Raquel seria eleita já no primeiro turno, com 52,4%”.

Última parada

No Sertão, a governadora Raquel Lyra já passou, essa semana, por Custódia, onde fez porta a porta com o prefeito Manoel Messias, visitou obras em Sertânia, esteve em Serra Talhada e Arcoverde, além de Salgueiro. Nesta quarta-feira (09), a comitiva dela aporta em Triunfo e Quixaba. Depois dessa maratona no Sertão, a expectativa da chapa majoritária é de concentrar esforços na RMR.

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