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Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Costuras

Alckmin e Haddad, os escalados para convencer Ivan Moraes

A negativa do candidato do PSOL em recuar veio a público, mas as tratativas que precederam o desfecho, nos bastidores, envolveram nomes graduados do PSB e do PT

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 05/09/2026 às 00:00

Fernando Haddad e Geraldo Alckmin foram à mesa com Ivan Moraes/Lula Marques/Agência Brasil, Weslly Gomes/DP Foto e Valter Campanato/Agência Brasil

Fernando Haddad e Geraldo Alckmin foram à mesa com Ivan Moraes (Lula Marques/Agência Brasil, Weslly Gomes/DP Foto e Valter Campanato/Agência Brasil)

Enquanto o processo estava em curso, nem o PSB, nem Ivan Moraes fizeram referência a como o assunto chegou ao PSOL. Mas, não só ofícios foram encaminhados pela direção nacional do PSB a diretórios estaduais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, como um dos escalados para ir à mesa com o candidato ao Governo de Pernambuco da federação PSOL-Rede, foi o vice-presidente nacional do PSB, Geraldo Alckmin.

Além do vice-presidente da República, quem também conversou pessoalmente com Ivan Moraes foi o segundo secretário do PSB nacional, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, além de Fernando Haddad, postulante ao Governo de São Paulo.

Em pauta, estava um movimento no sentido de Ivan compor com o ex-prefeito do Recife, João Campos, na corrida pelo Palácio das Princesas. A negativa de Ivan em recuar veio a público, mas não os detalhes embutidos na tentativa de uma construção no bastidor, que, até certo ponto, se deu sem sobressaltos.

Na Frente Popular, se dá conta de que Ivan viajou para ter esses diálogos e se pondera que os nomes escalados para tratar do assunto foram até uma deferência ao candidato do PSOL. À coluna, Ivan não detalha os encontros, mas não nega.

“Esse é um assunto que não me interessa mais. Em nenhum momento, eu nego conversa. Eu sou da conversa”, registra ele ao ser indagado. “Quem me chama para conversar, eu converso. Quando faz sentido, continua. Quando não faz sentido, não continua”, assinala.

Do encontro com Haddad, em São Paulo, Ivan guarda registro no seu instagram, datado de 31 de julho, mas não relaciona a imagem à investida do PSB. Quinze dias depois daquilo, ele acusou, em coletiva, sem citar nomes, “ataques” da campanha adversária para rifar sua candidatura, que acabou mantida. Sobre as conversas que teve com as lideranças nacionais, Ivan resume: “Eu só não pude atendê-los”.

Ofícios para SP, SC, RS

Na coletiva, em agosto, Ivan afirmou que o PSB tentou desfazer alianças com o PSOL em outros estados, mas não detalhou em quais. A direção nacional, via ofício, aos quais a coluna teve acesso, orientou as direções estaduais do PSB-SP, PSB-RS e PSB-SC que, nas convenções, indicasse, “a necessidade de equacionamento das pendências junto ao partido (PSOL) e à sua Federação”.

Cronologia

O documento recomendava que se deixasse de aprovar “por ora, apoio às candidaturas da referida agremiação”. Ivan Moraes considera: “Até o momento em que você faz tentativa de diálogo, isso é valido. Quando você tem resposta negativa e ameaça, não”. Os ofícios foram sucedidos pelas conversas que não prosperaram e o clima pesou.

Campo neutro

Na Frente Popular, interlocutores dão conta de que se tentou, inclusive, agendar uma conversa de Ivan Moraes com o próprio João Campos. Segundo fontes contam em reserva, um encontro chegou a ser marcado em “território neutro”, por demanda do PSOL, mas acabou desmarcado nos 45 minutos do 2º tempo, porque renderia uma negativa de Ivan a João Campos.

Extemporâneo

A despeito do nomes graduados que foram escalados para dialogarem com ele, Ivan Moraes pondera o seguinte: “Uma coisa é fazer acordo e outra coisa é, depois dos acordos feitos, colocar o acordo em questão. A minha candidatura nunca esteve em questão antes. Tem conversa do PSOL com PT, com PSB. Inclusive, com o PSD de Raquel Lyra no Ceará. Nunca a minha candidatura esteve nessa negociação, a não ser às vésperas da convenção".

Radar 1

Na semana em que o Governo Federal acabou vendo frustrado o plano de avançar na votação do fim da escala 6x1 no plenário do Senado, o senador Humberto Costa, aliado de primeira hora do presidente Lula, levou o tema ao guia eleitoral. "Estamos passando por um momento decisivo da nossa história política: a luta pelo fim da escala 6x1", registrou ele no programa desta sexta-feira (04). 

Radar 2

"Podemos dar tempo de qualidade para que as mães e os pais fiquem com seus filhos nos finais de semana, podemos fazer com que os jovens possam conciliar os estudos e o trabalho de maneira digna, podemos fazer com que milhões de pessoas tenham uma vida melhor. Por isso apoio o fim da escala 6 x 1 sem corte de salário", defendeu Humberto Costa, reforçando a pauta prioritária do governo.

Pit Stop

Ao abordar o assunto, Humberto lembra que fundou o PT ao lado de Lula, motivado pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Essa semana, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, requisitou, de última hora, a presença do senador pernambucano em Brasília no intuito de tentar votar a PEC do fim da escala 6x1 no plenário. Até a segunda-feira (31), Humberto não iria, mas acabou embarcando na terça (01) para Capital Federal, e voltando na quarta (02), porque tinha debate de senadores no Estado. A votação não vingou.

Confronto na TV

O primeiro debate na TV entre os candidatos ao Governo de Pernambuco será na próxima sexta-feira (11). Participarão a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos. Será promovido pela TV Nova Nordeste. Foram convidados candidatos com mais de 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada no fim de agosto. Os poStulantes poderão fazer perguntas entre si ao longo de dois blocos, um deles com tema livre e outro com assuntos determinados por sorteio. Será às 21h.

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