Lula: quebra de silêncio como vacina contra crise
Após insucesso na PEC do fim da 6x1, Lula defende "doa a quem doer" nas investigações evitando se ver, de novo, refém da oposição
Publicado: 04/09/2026 às 00:00
O presidente Lula se manifestou publicamente, pela primeira vez, sobre crise no STF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Ainda na segunda-feira, o termômetro de governistas já dava conta, nos bastidores, de que a PEC do fim da escala 6x1 seria passaria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas, ali, já, prevaleciam dúvidas se ela seria aprovada no plenário.
Encerrada a última semana de votações no Congresso Nacional antes do pleito deste ano, aliados do presidente Lula, a exemplo de Randolfe Rodrigues, admitiram “movimento bem-sucedido da oposição”, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, no sentido de não votar a matéria.
A pauta era prioritária para o governo e o insucesso se deu um mês após Lula fazer as pazes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O petista não creditou ao mandatário da Casa Alta o plano frustrado, mas, à oposição, que atuou, segundo ele, para impedir o avanço da matéria.
Também ontem, no mesmo dia, Lula se pronunciou, pela primeira vez, sobre a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito da qual Alcolumbre também não avançou em medida alguma.
“No Congresso, só teve esperneio da oposição. Não colou”, relata uma fonte à coluna em sinal de que a tese de abrir impeachment contra ministro do STF não passou de “jogo de cena”.
No entorno do presidente Lula, pairava uma lógica, ao longo da semana, de deixar o petista “longe disso tudo”. No entanto, em apenas dois dias, ele recebeu os ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin e conversou com Flávio Dino. Tirou de perto a temperatura de perto.
A crise institucional no Supremo respinga na PGR e na PF. Se o Senado evitou puxar a “bomba” para o seu colo, o presidente da República parece ter agido, ontem, no intuito de se tornar parte da solução. A outra opção era, em silêncio, virar parte do problema.
“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, disse o petista. Defendeu, em vídeo publicado em suas redes sociais, ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
Diante da gravidade, afirmou esperar “que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”. Não resolve a crise, mas age na direção de se se vacinar contra mais danos em meio ao processo eleitoral e de conter o avanço da oposição sobre a pauta.
Climão 1
Um ruído que se deu no microfone da candidata ao Senado, Marília Arraes, durante as considerações finais, no debate entre postulantes ao Senado promovido pelo G1, gerou
reação de um dos acompanhantes dela que não passou batida aos presentes. O tom adotado por ele para se queixar do ocorrido rendeu um climão. Ele pediu por mais 30 segundos de reposição mais de uma vez. Observadores atentos registram que não foi de forma afável.
Climão 2
Quando os pedidos de mais tempo já se repetiam algumas vezes, o deputado federal Lula da Fonte dirigiu-se a ele e sapecou: “Vai pedir de novo?”. A reação do progressista arrancou risos dos acompanhantes dos senadores, que já andavam impacientes com o que alguns definiram como “gritaria”.
Cadê os pardos...
“Teve um monte de gente que era pardo e virou branco”. A exclamação é uma liderança pernambucana que viu seu partido imerso na seguinte problemática: a reserva do fundo partidário dirigida aos brancos acabou sendo gasta além da previsão. Motivo: “novos brancos” acabaram levando fundos, que, originalmente, seriam debitados da cota dos pardos. “O mesmo candidato que era para ser contemplado pelo fundo de pardo virou branco”, enfatiza um membro desse partido em reserva, que precisou tentar trocar verbas com outros estados sem sucesso para resolver o imbróglio.
...que estavam aqui?
Resultado: na primeira parcela distribuída do fundo partidário nesse partido, já foi gasto quase tudo que se destinava aos brancos para a eleição toda. Em outras palavras, as previsões levavam em conta os pardos e brancos contabilizados no pleito de 2022, mas, quatro anos depois, a sigla esbarrou em um problema de letramento racial.