Potencial de consumo da periferia já é percebido pelas grandes marcas
Potencial de consumo das periferias brasileiras chega a R$ 167 bilhões por ano, de acordo com o ndice Brand Fans, do Tracking das Favelas da NÓS (Novo Outdoor Social)
Publicado: 07/11/2026 às 00:00
Mercado segue esperando informações mais consistentes do Planalto (Imagem gerada por IA )
O Recife tem 22% da população vivendo na periferia. São 1,49 milhão de habitantes, o quarto principal mercado do país nesse recorte, atrás só de São Paulo, Rio e Salvador, segundo o índice Brand Fans, do Tracking das Favelas da NÓS (Novo Outdoor Social). Na Região Metropolitana, a periferia não é contorno da economia. É gente que compra, empreende e decide marca todos os dias, com densidade que poucas capitais brasileiras sustentam no mesmo mapa.
No Nordeste, segundo o estudo, 80% dos moradores da periferia estão nas classes C e D: 54% na C e 26% na D, contra 19% na B e só 1% na A. No ranking regional, o carrinho de compras se desloca para o funcional: pasta de dente e material hidráulico se aproximam do pódio. A pesquisa liga o movimento à expansão da população nesse contexto, com famílias que constroem, reformam e ampliam moradia. Quem olha só o ranking nacional perde essas janelas.
Potencial de consumo
O potencial de consumo das periferias brasileiras chega a R$ 167 bilhões por ano. Não é faturamento de loja nem volume de aplicativo. É capacidade de compra estimada a partir de renda, orçamento e comportamento de quem vive o território.
O estudo fala em mais de 17 milhões de pessoas, mais de 13 mil comunidades mapeadas, 4 milhões de domicílios e renda familiar média de cerca de R$ 3 mil por mês. As 20 maiores favelas brasileiras estão nas 15 maiores regiões metropolitanas do país. Tratar isso como nicho solitário é erro de leitura de mercado.
Consumo digital
O acesso ao mercado já é garantido pelo celular, pelo Pix, fintechs e apps que chegam a qualquer CEP. Trata-se de digitalização, pragmatismo e pertencimento. A pergunta deixou de ser se dá para chegar e passou a ser quem conquista a preferência
Nesses territórios, há cerca de 260 mil comércios mapeados. Entre as empresas com CNPJ, 76% são MEI, 23% micros e pequenas e só 1% são de porte mpedio ou grandes. É a economia de empreendedores de perto, do mercadinho, do salão de beleza, da barberia, dos mercardos públicos e lojas de bairro.
Protagonismo feminino
O protagonismo produtivo é feminino. As mulheres são 51% da população do recorte, chefiam 51,7% dos lares e respondem por 60% do empreendedorismo na periferia. Entre as chefes de família, 58% são pretas. Elas sustentam, organizam e decidem a compra.
Falar com a favela, no estudo, é antes de tudo falar com elas: na gestão da casa, no balcão do negócio e na indicação que multiplica marca no grupo de clientes e na vizinhança. Ignorar esse centro de decisão não é detalhe de mídia, é falha estratégica.