Bolsa Família impulsiona redução histórica do trabalho infantil, aponta IBGE
Segundo a pesquisa, a redução do trabalho infantil nos domicílios beneficiados pelo programa foi de 20,1% em um ano
Publicado: 16/10/2026 às 11:30
O total recuou de 717 mil em 2024 para 573 mil crianças e jovens em 2025 (© VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL)
O Bolsa Família foi o principal motor na redução do trabalho infantil no país entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, a redução do trabalho infantil nos domicílios beneficiados pelo programa foi de 20,1% em um ano, o que representa 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa situação.
O total recuou de 717 mil em 2024 para 573 mil crianças e jovens em 2025, o que representa mais de 95% da queda total no contingente nacional.
Em 2025, houve uma queda de 9,2% no total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no país. O contingente passou de 1,65 milhão em 2024 para 1,49 milhão em 2025, o menor da série histórica iniciada em 2016.
Ao longo da série, o trabalho infantil nas famílias atendidas pelo Bolsa Família apresentou uma trajetória de retração mais acentuada do que a média nacional. Em 2016, 7,3% das crianças e jovens em lares beneficiários estavam em situação de trabalho infantil (971 mil pessoas), enquanto a taxa média do país era de 5,2%, uma distância de 2,1 pontos porcentuais.
Em 2025, a proporção no grupo do programa caiu para 4,4%, aproximando-se do patamar geral da população (4,0%) e reduzindo a lacuna para apenas 0,4 ponto porcentual. No acumulado de 2016 a 2025, o trabalho infantil na população beneficiária despencou 41,0%.
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos lares com crianças que recebem o benefício era de R$ 660 em 2025, o equivalente a cerca de um terço do valor registrado nos domicílios não beneficiados com moradores de 5 a 17 anos (R$ 1.990).
"O Bolsa Família pode ter contribuído para garantir uma renda mínima para essas famílias, além de ter condicionalidades relacionadas à frequência escolar. É algo que pode ter contribuído para essa queda", afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, pesquisador do IBGE responsável pelos dados.
O impacto positivo também se reflete em indicadores sociais, como a escolarização. Entre os trabalhadores infantis atendidos pelo programa, a taxa de frequência à escola foi de 89,8%, superando a média geral de todas as crianças em trabalho infantil no país (86,9%) e alcançando 98,8% no grupo de 14 e 15 anos.
Entre os beneficiários em situação de trabalho infantil, 34,2% realizavam exclusivamente a produção para o próprio consumo, como cultivo agrícola ou criação de animais para o próprio lar, parcela superior aos 23,9% observados no total nacional.
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