"Este áudio é uma prova", disse Isabelle Caracristi em mensagem gravada uma hora antes de morrer
"Qualquer coisa que venha a acontecer comigo, este áudio é uma prova. João Munhoz é um doente", teria registrado a universitária, via WhatsApp
Publicado: 22/09/2026 às 19:10
Isabelle Caracristi tinha 22 anos. (Reprodução/Redes sociais)
A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, não escondeu dos parentes o difícil relacionamento com o bacharel João Munhoz Neto, 33. Uma hora antes de cair do 23º andar de edifício na Aldeota, em Fortaleza, onde vivia com o namorado, ela enviou áudios a um familiar. A jovem morreu no último dia 13 de setembro e Munhoz Neto só foi encontrado nesta terça-feira (22). Ele foi preso preventivamente.
“Qualquer coisa que venha a acontecer comigo, este áudio é uma prova. João Munhoz é um doente. Não acredite nele”, teria registrado Isabelle Caracristi para um parente, em uma conversa via WhatsApp, por volta das 19h40, no dia da morte, afirma reportagem do Diário do Nordeste, a partir de acesso exclusivo ao depoimento. Uma hora depois, o impacto da universitária contra o solo foi registrado.
De acordo com o inquérito, instaurado três dias depois da morte, em 16 de setembro, Isabelle teria relatado ameaças atribuídas ao companheiro e pedia que a mensagem fosse preservada como prova. “Não apague este áudio. Me responde”, teria dito, ainda na gravação. O parente, cuja identidade foi ocultada, não ouviu os áudios na íntegra quando os recebeu e apenas recordou o envio no dia seguinte, quando foi comunicado da morte da jovem.
Ainda de acordo com o inquérito, Isabelle Caracristi teria afirmado ao familiar que se sentia explorada pelo namorado e que já “não aguentava os jogos emocionais”. O depoimento reitera que João era muito ciumento e limitava a liberdade da jovem, que não podia manter boa relação com a família. Os dois se aproximaram em julho, após a jovem iniciar um estágio no mesmo escritório que o bacharel atuava. O relacionamento começou pouco depois depois que a universitária começou a atuar no local.
O familiar teria questionado o porquê de ela não terminar o relacionamento, mas ela só teria afirmado que não suportava mais o namorado e que “depois desse, não quero ninguém. Quero ficar sozinha” afirmou o depoente. Isabelle Caracristi estagiava em um escritório de advocacia, onde conheceu Munhoz, e também teria dito que pretendia denunciar a empresa à Justiça do Trabalho pela rotina exaustiva.
O celular da universitária foi entregue à Polícia Civil do Ceará (PCCE) e deverá ser periciado. Áudios e mensagens integram a investigação. No momento da queda, João Munhoz Neto não estava no edifício.
Outro familiar, ouvido pela reportagem do Diário do Nordeste, afirma ter falado com a jovem semanas antes e ouvido Munhoz Neto intervir na chamada. “Desliga esse telefone. Estou mandando”, ele teria dito. “Você não manda em mim”, Isabelle respondeu.
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