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Indicado de Trump para embaixada no Brasil admite "enorme superavit" dos EUA

Daniel Pérez afirmou, durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano, que não conhecia em detalhes a decisão do USTR, dizendo que as novas tarifas foram anunciadas enquanto ele dormia

Armando Holanda - Correio Braziliense

Publicado: 17/07/2026 às 12:55

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada no Brasil, Pérez ainda depende da manifestação do governo brasileiro para assumir o posto/Divulgação/Florida House of Representatives

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada no Brasil, Pérez ainda depende da manifestação do governo brasileiro para assumir o posto (Divulgação/Florida House of Representatives)

Daniel Pérez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chefiar a embaixada norte-americana no Brasil, afirmou que atuará em defesa de eleições livres e justas no país e reconheceu que os EUA registram um "enorme superavit" na balança comercial com o Brasil. 

As declarações foram dadas na quinta-feira (16), durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano, um dia após o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Durante a audiência, o senador democrata Tim Kaine perguntou se os Estados Unidos exportavam mais para o Brasil do que importavam. "Temos um superavit, senhor", respondeu Pérez. Ao ser questionado se esse saldo era "enorme", respondeu: "Sim, senador".

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os Estados Unidos encerraram o último ano com superavit de aproximadamente US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) no comércio com o Brasil.

A sobretaxa de 25% foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que justificou a medida como resposta a supostas "práticas comerciais desleais" adotadas pelo Brasil. A cobrança está prevista para entrar em vigor em 22 de julho.

Entre as justificativas apresentadas pela administração Trump estão questionamentos ao Pix, críticas às políticas de combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado brasileiro de etanol e ao desmatamento ilegal.

Pérez, que ainda aguarda confirmação para assumir a representação diplomática em Brasília, afirmou que não conhecia em detalhes a decisão do USTR, dizendo que a medida foi anunciada enquanto ele dormia.

Na sabatina, o indicado também apresentou as prioridades que pretende adotar caso seja confirmado no cargo. Segundo ele, sua atuação será voltada à proteção dos cidadãos norte-americanos, "o avanço dos nossos interesses em comércio e investimentos, a construção de parcerias contra crimes transnacionais e tráfico de drogas, apoio às instituições democráticas, à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão".

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada no Brasil, Pérez ainda depende da conclusão do processo de aprovação e da manifestação do governo brasileiro para assumir o posto. 

Ao defender sua indicação perante os senadores, o parlamentar também afirmou: "Apoiarei as instituições democráticas do Brasil e defenderei condições que permitam eleições livres e justas, bem como a liberdade de expressão, pois um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os Estados Unidos".

Confira matéria no Correio Braziliense.

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