Caso de professora esfaqueada em Goiás provoca debate sobre segurança nas escolas
Para especialista, episódio de professora esfaqueada por aluna de 14 anos "essalta a vulnerabilidade dos educadores"
Publicado: 30/08/2025 às 13:58

Professora foi esfaqueada em escola municipal de Goiás (Reprodução/PMGO)
O caso de uma professora de 37 anos que foi esfaqueada por uma aluna, em uma escola municipal de Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, na semana passada, tem provocado debate sobre a segurança nas escolas do país. Os golpes atingiram os braços e as costas da educadora, que já recebeu alta.
Em entrevista à uma emissora local, a professora de Português relatou que, dias antes do ataque, decidiu retirar de sala a estudante, que tem 14 anos, por aparentemente estar com infecção no olho. “Perguntei se estava ardendo, se era conjuntivite, e ela falou que não sabia”, descreveu. “Nisso, ela achou que eu a constrangi”.
Segundo a vítima, a aluna a procurou na sexta-feira (22), mas a professora se recusou a conversar sem a presença dos pais dela ou de diretores da unidade. “Entrei para dar aula em outra sala e ela foi atrás”, relata. “Ela me pegou por trás”.
A vítima afirmou que costumava ter uma boa relação com a estudante. Ela foi encaminhada ao Hospital Santa Maria, no Distrito Federal. Já a adolescente foi conduzida à Central de Flagrantes de Luziânia.
Segurança nas escolas
Ao Diario de Pernambuco, a psicóloga Luciana Inocêncio, especialista em atender emergência e situações de crise, que atuou no atendimento às vítimas do Massacre de Suzano, em 2019, afirma que o caso da professora esfaqueada representa “um alerta doloroso” e, mais uma vez, "mostra a fragilidade da escola".
“Esse episódio ressalta a vulnerabilidade dos educadores que, muitas vezes, se dedicam além do ensino e acabam sendo expostos a situações extremas de violência”, diz. “Quando as famílias se tornam disfuncionais – e deixam de oferecer suporte, limites, afeto – a escola se torna o lugar onde a dor e revolta desses jovens transbordam”.
Para a especialista, é preciso “valorizar e proteger esses profissionais”. “Sabemos que é um desafio ensinar, mas também sobreviver nesse ambiente que deveria ser de respeito e aprendizado, afirma. “Não basta punir, é urgente que se haja investimento em apoio a famílias e acompanhamentos psicológicos”.
Na quinta-feira (28) a deputada estadual Bia de Lima (PT-GO), que é pedagoga, usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para falar do caso. “Não podemos mais ignorar a violência contra os professores”, declarou.
“Quem dedica a vida a ensinar merece respeito e proteção, nunca medo ou desrespeito. Infelizmente, casos como o da professora esfaqueada em Valparaíso mostram que essa realidade está cada vez mais presente e preocupante”, disse a parlamentar.
O discurso, replicado no Instagram, reuniu diversos comentários de professores. “Escola se tornou um lugar insalubre. Alunos sem limites e indisciplinados, com pais agressivos ao extremo. Algo precisa ser feito já”, postou um docente.
Outro reclamou: “Quando acontece, somos orientado a ficar calados!!! Para não escandalizar a ‘linda’ educação. E os culpados somos nós que não tivemos didáticas o suficiente para lidar com os alunos e pais violentos”.
Uma usuária da rede social trouxe uma ponderação. “A sociedade é violenta. A escola pública é um recorte da sociedade. Além disso, estamos lidando com muitos alunos que sofrem ‘o abandono’ dentro de seus lares, pais que não educam, não passam valores e muito menos estão preocupados com aprendizados de seus filhos”, disse.

