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Alcione leva clássicos do samba ao festival Clássicos do Brasil, que começa nesta sexta (6) no Recife

Ícone do samba, Alcione volta ao Recife como uma das atrações da segunda edição do festival Clássicos do Brasil, que acontece no Parque Dona Lindu, nesta sexta-feira (6)

Por Allan Lopes

Alcione é uma das principais atrações da edição 2026 do festival Clássicos do Brasil

Pelo segundo ano consecutivo, Recife recebe o festival Clássicos do Brasil, que nesta edição adota um formato ao ar livre no Parque Dona Lindu, situado na orla de Boa Viagem. Fiel à sua proposta de celebrar a pluralidade musical brasileira, a programação faz uma ampla referência a nomes indispensáveis do frevo, do rock e da MPB. No samba, a escalação de Alcione é incontestável.

Sempre ovacionada em solo pernambucano, a diva maranhense comanda o show que abre o festival nesta sexta-feira (6), às 20h. Os ingressos estão à venda na Bilheteria Digital. Para o setor Arena, as entradas custam R$ 120 (meia) e R$ 240 (inteira). Já quem preferir o espaço Lounge encontra bilhetes por R$ 200 (meia) e R$ 400 (inteira).

A relação de afeto entre a sambista e o estado é recíproca, consolidada por décadas de apresentações marcantes pelo lado de cá. “Pernambuco, com sua multiplicidade cultural, sempre me encantou. É difícil até enumerar minhas referências diante de um povo com tanta criatividade e de uma riqueza folclórica e artística tão expressiva”, destaca Alcione, que exalta a força do samba em meio às tradições nordestinas. “O samba está em todas as regiões. Às vezes com ‘sotaques’, andamentos e sonoridades locais, mas sempre se faz presente”, celebra.

Fazendo jus ao nome do festival, o repertório do show repassa clássicos de uma discografia que atravessa gerações e celebra mais de 50 anos de carreira, incluindo “Não Deixe o Samba Morrer”, “Você Me Vira a Cabeça (Me Tira do Sério)”, “A Loba”, “Meu Ébano” e “Faz Uma Loucura Por Mim”.

Para Alcione, canções emblemáticas como essas asseguram ao ritmo um lugar irrevogável na cultura nacional. “O samba não precisa ser resgatado, porque está vivo e pode ser encontrado em todos os cantos deste país. É uma das nossas expressões culturais mais emblemáticas e faz parte da identidade brasileira. Não é à toa que somos conhecidos como o país do futebol e do samba”, afirma a cantora.

A consolidação dessa trajetória, no entanto, exigiu resiliência. Sobretudo por se tratar de uma mulher negra e nordestina que, no início da carreira, na década de 1970, chegou a ser rotulada como uma intrusa no cenário musical.

“Como toda mulher negra, independentemente do ofício, enfrentei as batalhas de sempre. No entanto, como aprendi desde cedo a me respeitar, encarei todo esse processo com coragem e determinação, porque sabia o que almejava e o que queria para minha vida”. ressalta Alcione.

Em relação às novas sambistas, ela enxerga o futuro com esperança. “Acredito que abrimos caminhos e que agora cabe à juventude pavimentá-los. E vejo que essa nova geração já vem fazendo isso com enorme brilhantismo”, diz

Programação
Ainda na sexta-feira, o lineup conta com Seu Jorge, que transita entre sucessos da carreira e do repertório do álbum “Baile à la Baiana”. O trabalho, desenvolvido em Salvador ao lado da banda Conjuntão Pesadão, marca o retorno do artista aos discos solo de inéditas e aposta em uma dinâmica que alterna o suingue carioca com o afro-pop e o tempero percussivo baiano.

Na sequência, Marcelo D2 traz o show “Manual Prático do Novo Samba Tradicional”, no qual insere elementos contemporâneos e novas texturas sonoras às estruturas clássicas do ritmo.

No sábado (7), o festival recebe três propostas distintas do rock e pop brasileiro. O roteiro inclui o repertório romântico de Nando Reis na turnê “Pra Você Guardei o Amor”, a estreia da nova turnê elétrica de Humberto Gessinger, intitulada “3x4 - Um Retrato”, e o show de 30 anos do CPM22, composto pelos principais sucessos radiofônicos da banda.

A edição termina no domingo (8) com a iniciativa gratuita “Domingo no Parque”. Voltado à valorização da cena local, o encerramento traz apresentações de Lula Queiroga, Mundo Livre S/A e SpokFrevo Orquestra, que sintetizam a diversidade do estado através do frevo, manguebeat, maracatu, xote e embolada.