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Cinema pernambucano ganha destaque na edição de 20 anos do festival carioca Visões Periféricas

Festival Visões Periféricas celebra 20 anos com cinco filmes pernambucanos na programação, incluindo o documentário de abertura "Arquivo Vivo"

Por Allan Lopes

"Arquivo Vivo", de Vincent Carelli e Ana Carvalho, abre a programação da 20ª edição do Festival Visões Periféricas

Saindo direto de Pernambuco, uma safra de filmes que discute afeto, gênero e memória embala a programação de 20 anos do Festival Visões Periféricas. Realizado no Rio de Janeiro, o evento prioriza o cinema feito fora do circuito tradicional. A largada será na próxima quinta-feira (23), com a exibição do documentário pernambucano “Arquivo Vivo”, de Vincent Carelli e Ana Carvalho.

A programação segue até domingo (26) reunindo produções das cinco regiões brasileiras — incluindo mais quatro títulos do nosso estado. Toda a grade no Rio é gratuita, mediante retirada de ingressos na hora de cada sessão. Já o público de outras cidades pode assistir no site do festival ou na plataforma gratuita Itaú Cultural Play

Nas telas físicas e virtuais, a comitiva local tem dia e hora para estrear. O pontapé inicial presencial será no dia de abertura, quando “Arquivo Vivo” ocupa a Estação Claro Rio, às 19h. Paralelamente, o curta “Dynamite Som, o futuro é Lamento Negro”, assinado por Lia Letícia e Pedro Severien, inicia sua curta temporada no Itaú Cultural Play até 3 de agosto.

Para quem acompanha a programação presencial no Rio, o sábado (25) reserva uma dobradinha da Mostra Fronteiras Imaginárias: “Trincheiras”, de Lucas da Rocha e Maria Clara Almeida, passa às 16h na Sala 2 na Estação Claro Rio, enquanto “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique, será exibido às 17h no mesmo local. No domingo (26), é a vez da animação “Lá na Frente”, dirigida por Márcio Andrade, divertir o público infanto-juvenil da Mostra Visões do Amanhã, às 15h, no CineCarioca Nova Brasília.

Mesmo com linguagens distintas, os cinco filmes se unem no propósito de resgatar identidades e territórios marginalizados pela narrativa hegemônica. “São obras que partem de experiências locais para refletir sobre processos históricos, sociais e culturais mais amplos, em sintonia com a proposta do festival de dar visibilidade a cinematografias comprometidas com novas formas de representar a diversidade brasileira”, conta o curador e pesquisador pernambucano Wilq Vicente.

Ele dividiu com Lukas Nascimento, Quézia Lopes e Olinda Tupinambá a tarefa de selecionar as 69 produções desta edição, que registrou um salto de 70% nas inscrições em relação ao ano passado.

Wilq, que assina os livros “Cinema de Periferia: Narrativas do Século 21” e '”Quebrada? Cinema, Vídeo e Lutas Sociais', identifica dinâmicas bem particulares na cena periférica nordestina. “Cada região desenvolve uma cinematografia periférica muito ligada às suas especificidades culturais e históricas. No Nordeste, há uma forte presença das tradições populares, das matrizes afro-indígenas, das questões rurais e da relação com o território, além de uma grande diversidade estética”, destaca ele.

“O mais interessante é perceber que hoje já não existe uma única ideia de ‘cinema de periferia’, mas uma pluralidade de olhares que refletem as diferentes realidades brasileiras, completa o curador.

Mesmo carregando uma bagagem histórica de peso e reconhecimento internacional, a nova safra pernambucana foge do comodismo e tensiona as telas do festival com narrativas afiadas sobre gênero, território e identidade.

“Em um festival dedicado às cinematografias periféricas, essa presença reafirma o protagonismo do cinema pernambucano na construção de novas formas de representar o Brasil, conciliando qualidade artística, experimentação e um forte diálogo com as realidades populares e periféricas locais”, celebra Wilq.

Vinte anos após o surgimento do festival, o avanço na produção contrasta com a histórica dificuldade de circulação que ainda sufoca o cinema de periferia brasileiro. Para Wilq, as barreiras para entrar nas plataformas de streaming, na TV e no circuito comercial fazem com que festivais independentes continuem sendo o principal oxigênio para essas obras.

“O grande desafio é ampliar essas janelas de circulação para que essas produções deixem de ocupar apenas espaços alternativos e festivais e passem a integrar de forma permanente o circuito audiovisual brasileiro, alcançando públicos cada vez mais diversos”, conclui.