Soldado preso por sumir com fuzil ficou calado em interrogatório e só falará em juízo, diz advogado
Segundo o representante legal da família do soldado do Exército Pedro Gabriel, que está preso após sumir por quatro dias com um fuzil, ele só falará sobre o caso em juízo
O soldado do Exército Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento permaneceu calado durante interrogatório do quartel de onde sumiu com um fuzil na última semana. O procedimento de escuta foi realizado na sexta-feira (23), mas o militar só falará em juízo. A informação foi confirmada ao Diario de Pernambuco pelo advogado da família dele, Jario Santos.
Pedro Gabriel sumiu no dia 17 de outubro, levando um fuzil do quartel onde servia, no bairro do Cabanga, área central do Recife. Ele está preso desde quarta-feira (21), após se entregar à polícia, mas o material segue desaparecido.
Nesta terça-feira (27), circularam nas redes sociais vídeos de carros do Exército nos municípios de Olinda e Paulista. O Diario procurou a assessoria de comunicação do Exército sobre a ação e se teria ligação com o caso do soldado. A assessoria confirmou que a operação estava ligada sim ao caso envolvendo o soldado Pedro Gabriel e que seria uma operação de busca e apreensão, mas não informou se algum material foi apreendido.
Quando foi preso, Pedro Gabriel alegou não se lembrar de como deixou o quartel naquela noite, quando estava em serviço, segundo o advogado. Um dia antes do depoimento, o representante afirmou ao Diario que, com o depoimento, esperava ter “mais informações do que realmente aconteceu”, mas não foi o caso.
Pedro Gabriel segue preso no 4º Batalhão de Polícia do Exército (BPE), no Curado, na Zona Oeste do Recife, onde está desde que se entregou.
A investigação apura a possibilidade de o armamento que estava com Pedro Gabriel ter sido repassado ao tráfico de drogas. Além do fuzil de modelo M964 FAL calibre 7,62 mm, estão desaparecidas 20 munições.
Prisão domiciliar
A namorada de Pedro Gabriel, Yasmim Victória de Amorim Lago, de 18 anos, está em prisão domiciliar por suspeita de ajudá-lo a fugir com a arma.
Yasmim Victória está grávida de dois meses do militar e chegou a ficar presa por quatro dias na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, na Zona Oeste do Recife.
Posteriormente, a Justiça Militar entendeu que a permanência dela na prisão representava riscos para a gravidez e determinou a prisão domiciliar. A jovem já tinha afirmado sentir dores e sangramento em audiência de custódia.
A decisão determina que Yasmim Victória siga algumas medidas cautelares, como proibição de manter contato direto ou indireto, por qualquer meio, com Pedro Gabriel, ou com quaisquer testemunhas e investigados do inquérito policial militar.
Ela também deve permanecer nos endereços declarados, só podendo se ausentar em casos de emergência médica ou consultas obstétricas devidamente comprovadas por atestado em até 24 horas, além de estar proibida de alterar o endereço residencial sem autorização judicial prévia.