Incêndio de ônibus na BR-101 foi provocado por traficantes para simular protesto, segundo a PM
Comandante do 19º BPM afirma que mandante do ataque é "alvo antigo" das investigações
A Polícia Militar classificou como ato criminoso o incêndio de um ônibus na BR-101, no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, ocorrido no domingo (20). Segundo a corporação, o ataque foi orquestrado por uma facção da região em uma tentativa de simular um protesto pela morte de um jovem de 21 anos, ocorrida no dia anterior, sábado (19), durante uma ação policial na Comunidade dos Milagres.
A informação foi detalhada pelo tenente-coronel Davidson Michel, comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em coletiva realizada nesta segunda-feira (21) no Quartel do Derby.
Operação tática terminou com morte de suspeito no Buracão
Segundo o comandante, uma equipe de contrarresposta entrou na área conhecida como Buracão, dentro da Comunidade dos Milagres, na tarde de sábado, e avistou um homem carregando uma sacola que depois se confirmou conter drogas. Ao perceber a aproximação da equipe, ele fugiu por uma escadaria da localidade e, no alto, reagiu a tiros contra os policiais, que revidaram e o atingiram. Ele foi socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lagoa Encantada, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, a polícia apreendeu a arma usada e 72 pedras de crack.
Questionado se o suspeito agia sozinho, Michel disse que a equipe não avistou outras pessoas no momento da ação, mas que já havia indícios prévios de sua atuação na área: "Naquele momento, o nosso efetivo não conseguiu visualizar outras pessoas com ele. Mas já temos algumas informações de que ele já traficava há algum tempo." Segundo a corporação, o jovem não tinha antecedentes criminais.
Familiares ouvidos pela imprensa contestam a versão da corporação e negam que o jovem tenha trocado tiros com os policiais. As investigações sobre o episódio seguem em andamento.
PM diz que mandante do incêndio é "alvo antigo" e cita fuga da comunidade
Para a corporação, o incêndio do dia seguinte teria como objetivo atribuir à polícia a responsabilidade pela morte do jovem e mascarar, sob aparência de protesto, um ataque de natureza criminosa. Segundo Michel, o mesmo suspeito apontado como mandante do ataque costuma escapar da região sempre que o policiamento é reforçado: "É engraçado que esse mesmo traficante que ordena atear fogo no ônibus é o mesmo que, quando a gente intensifica as ações naquela localidade, é o primeiro a fugir."
"Já temos a identificação, já sabemos quem é, já é um alvo antigo, e quem sabe logo a gente não chegue a esse facínora", afirmou o comandante, chegando a cogitar classificar o episódio como ato de terrorismo, embora o crime não tenha, até o momento, esse enquadramento formal. Segundo o tenente-coronel Michel, o suspeito fugiu para o município de Camaragibe, onde uma nova operação está em curso para localizá-lo. "Intensificaremos ainda mais as nossas ações, e vão sentir o peso forte das nossas forças", declarou.
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