Incêndios contra ônibus se repetem em Pernambuco e deixam rodoviários em alerta
Quatro episódios foram registrados na Região Metropolitana do Recife em 2026; sindicato aponta cenário de vulnerabilidade e cobra reforço na segurança
O transporte público da Região Metropolitana do Recife registrou, neste ano, pelo menos quatro episódios de incêndio contra ônibus. O caso mais recente ocorreu no sábado (19), quando um coletivo da linha Barro/Prazeres foi incendiado durante um protesto na BR-101, na altura da Vila dos Milagres, no Ibura. Motorista e passageiros foram retirados do veículo antes que as chamas começassem, e ninguém ficou ferido.
O episódio se soma a outros três registrados anteriormente. Em maio, um ônibus da linha TI Barro/TI Macaxeira foi incendiado nas proximidades do Detran, na Iputinga. Em setembro, um coletivo da linha Jardim Brasil/Joana Bezerra foi alvo de tiros e incendiado na Vila Popular, em Olinda, após o motorista ser feito refém e levado por criminosos. Em abril, outro ônibus havia sido incendiado no Ibura. A Polícia Civil informou, no início de setembro, que investigava três ocorrências de incêndio ou tentativa de incêndio contra coletivos.
Os casos ocorreram em circunstâncias diferentes. No ataque de Olinda, o motorista sofreu queimaduras no rosto, nos cabelos e em uma das mãos. Já no episódio mais recente, o incêndio aconteceu durante uma manifestação cuja motivação, segundo a PRF, estaria relacionada à morte de um jovem da comunidade. A PM, porém, não havia confirmado essa relação.
Sindicato orienta motoristas a não reagir
Segundo José Francisco, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE), a orientação aos motoristas é não reagir em situações de abordagem e priorizar a própria segurança.
“Os motoristas são orientados para que não reajam a nenhuma investida, até porque eles nunca vêm sós. Sempre vêm armados e dispostos para o que der e vier. Hoje, os rodoviários, na questão da violência, são muito vulneráveis”, afirmou.
Após uma ocorrência, o trabalhador deve procurar um local seguro, comunicar a empresa, acionar o 190 e informar o sindicato. Para o diretor, o motorista não tem condições de tentar combater as chamas em situações desse tipo. “No ônibus de Jardim Brasil até o próprio motorista foi queimado”, lembrou.
Violência contra rodoviários passa de 1,3 mil registros
Os incêndios ocorrem em meio a um cenário mais amplo de violência no transporte público. Dados do Sintro-PE apontam 1.372 ocorrências contra trabalhadores entre janeiro e agosto de 2026 na Região Metropolitana do Recife.
Do total, 442 foram classificadas como assaltos, 96 como violência física contra motoristas e 234 como violência verbal. Outros 600 registros comunicados ao sindicato não foram detalhados.
Segundo o sindicato, os dados podem estar abaixo da realidade devido à subnotificação. A entidade defende reforço do policiamento ostensivo, além da ampliação de blitzes e operações preventivas nas áreas de maior incidência.
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Sindicato cobra atuação do Estado
Para José Francisco, os ataques contra coletivos podem estar relacionados a conflitos entre ações de segurança pública e grupos criminosos, mas as circunstâncias e motivações precisam ser investigadas individualmente.
“Toda vez que acontece um fato entre ações do Estado contra o crime organizado, quem sai perdendo é a sociedade pernambucana”, afirmou. O diretor também citou episódios registrados em anos anteriores e alertou para os impactos dos ataques sobre passageiros e trabalhadores.
“Ou o Estado toma para si o que é dever do Estado fazer ou a gente amanhã vai encontrar não só um carro pegando fogo, mas diversos carros pegando fogo”, declarou.
As ocorrências de 2026 seguem sob investigação. Até o momento, as autoridades não apontaram uma única motivação para os ataques nem estabeleceram relação entre todos os episódios.