Obras no Hospital da Restauração revelam caixas de esgoto danificadas sob cozinha e refeitório
Reforma identificou antigas valas, caixas de esgoto comprometidas e bolsões sob o piso, problemas que, segundo a direção da obra, provocavam o mau cheiro recorrente na unidade
As obras de reforma no Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, revelaram um problema oculto sob o piso da cozinha e do refeitório da unidade. Durante as intervenções, foram encontradas antigas valas, caixas de esgoto danificadas e bolsões de vazios (cavidades) que, segundo a equipe responsável pela obra, provocavam há anos o mau cheiro recorrente no local.
De acordo com a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), as caixas de esgoto danificadas permitiam o escoamento de esgoto e dejetos sob o piso da cozinha e do refeitório. Além disso, foram identificados bolsões de diferentes profundidades, alguns com mais de um metro de altura.
"À medida que fomos retirando o piso e as paredes do setor de cozinha e do refeitório, descobrimos esses problemas que estavam ocultos, como a origem do odor, que há décadas é característico do Hospital da Restauração. Ninguém sabia de onde vinha esse mau cheiro, mas conseguimos identificar sua origem", explicou a diretora de Obras de Saúde da Cehab, Priscila Giovana.
Segundo a diretora, as cavidades se formaram ao longo do tempo em razão do escoamento de esgoto e de dejetos sob o piso do térreo da unidade.
Apesar da descoberta, Priscila Giovana informou que as intervenções nessa área ainda estão na fase de diagnóstico para determinar a extensão dos danos. Segundo ela, o resultado dessa avaliação poderá impactar o cronograma da obra.
O setor de cozinha e o refeitório, que atendiam funcionários do hospital e acompanhantes de pacientes, tiveram as atividades suspensas em junho deste ano para o início da reforma.
Questionada sobre uma possível contaminação dos alimentos ao longo dos anos, a diretora afirmou que é "impossível determinar" se isso ocorreu, já que o problema permanecia oculto.
Outros problemas no HR
Nos últimos meses, o Hospital da Restauração também registrou outros incidentes relacionados à estrutura da unidade.
Na última quarta-feira (29), parte do forro do teto da sala de recuperação caiu sobre uma paciente recém-operada, que precisou ser submetida a um novo procedimento cirúrgico.
Em maio deste ano, parte do teto do 7º andar também cedeu. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Imagens registradas por pacientes mostraram placas de gesso espalhadas pelo corredor e uma abertura no teto após o desabamento.
Na ocasião, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que o incidente ocorreu em um corredor que ainda não havia passado por reforma e atribuiu o desabamento às fortes chuvas registradas nos dias anteriores.
Já em junho, um timbu caiu do forro de PVC do refeitório do hospital, que ainda estava em funcionamento, enquanto servidores faziam as refeições. O animal caminhou sobre uma das mesas e chamou a atenção de quem estava no local.
Outro problema relatado por pacientes ouvidos pela reportagem nesta segunda-feira (3) diz respeito à comunicação sobre o estado de saúde dos pacientes internados.
Reforma
As obras de requalificação do Hospital da Restauração começaram em 2024, pelo sétimo andar da unidade. Até o momento, os sexto e oitavo andares foram totalmente reformados e climatizados, além de parte do sétimo pavimento.
Segundo a direção do hospital, os serviços estão em andamento em diferentes áreas, como o térreo, estacionamento, entrada principal, auditório, cozinha e refeitório.
Também estão sendo executadas a troca do forro da Emergência Pediátrica (1º andar), obras em parte da UTI Geral (2º andar), a reforma de quatro salas do bloco cirúrgico (3º andar) e a requalificação das enfermarias do 4º andar e de parte dos 5º e 7º andares.
Ao todo, o Governo de Pernambuco informa que cerca de R$ 168 milhões estão sendo investidos na ampliação e recuperação da unidade. Segundo a gestão estadual, trata-se da primeira grande reforma da história do Hospital da Restauração.
Apesar dos investimentos, acompanhantes de pacientes afirmam que as obras, somadas à superlotação, ainda afetam a rotina da unidade.
"As obras impactam um pouco as visitas, principalmente depois do dia em que o teto caiu. Além disso, há a superlotação, com muitos pacientes nos corredores. Sabemos que a reforma é importante para melhorar a estrutura do hospital, mas, enquanto isso, acaba afetando o dia a dia de quem permanece aqui", relatou um morador de Floresta, no Sertão de Pernambuco, que acompanha o pai internado no HR.