Preso em Santa Catarina suspeito de mandar matar turista paulista em Porto de Galinhas
Polícia Civil afirma que crime foi motivado por uma discussão em um restaurante. Executor já havia sido preso na Bahia. Investigação aponta que o mandante é uma das lideranças de uma organização criminosa com atuação em São Paulo
O homem apontado pela Polícia Civil como líder e mandante do assassinato do turista paulista Rafael Ventura Martins, de 32 anos, morto a tiros em janeiro deste ano, em um restaurante de Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, foi preso na última sexta-feira (10), em Porto Belo, Santa Catarina. Os detalhes da investigação foram apresentados nesta segunda-feira (13) pela Polícia Civil de Pernambuco.
Daniel de Souza, investigado como uma das lideranças de uma organização criminosa com atuação em São Paulo, teve o mandado de prisão preventiva cumprido seis meses após o crime. Antes dele, o executor dos disparos, Kelvin Michael da Silva, de 21 anos, já havia sido preso no município de Irecê, na Bahia.
As investigações também identificaram um terceiro envolvido, Edson Paulo da Silva, que teria auxiliado na fuga dos criminosos após o homicídio. No entanto, ele foi executado em fevereiro, cerca de um mês após o crime, em Jaboatão dos Guararapes, antes que o mandado de prisão pudesse ser cumprido.
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, as prisões representam o desfecho da investigação iniciada logo após o assassinato, ocorrido em 4 de janeiro deste ano, quando Rafael passava férias em Pernambuco acompanhado da companheira e de um amigo.
O inquérito foi conduzido inicialmente pelo delegado Marcos Castro e concluído pela delegada Marina Delgado, da Delegacia de Homicídios de Ipojuca. Ao longo da investigação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil, o crime não teve relação com qualquer atividade ilícita praticada pela vítima em Pernambuco. As investigações apontam que o homicídio foi motivado por um desentendimento iniciado dentro do restaurante e agravado pela presença de integrantes da organização criminosa.
Discussão em restaurante terminou em execução
De acordo com o delegado Marcos Castro, Rafael Ventura Martins estava sentado com a companheira e um amigo quando encontrou um conhecido de São Paulo. Esse homem estava acompanhado de Daniel de Souza, apontado pela polícia como integrante do alto escalão de uma organização criminosa paulista.
“O conhecido da vítima estava acompanhado de Daniel. Durante esse contato inicial, houve uma discussão porque Daniel passou a adotar uma postura de ostentação, afirmando que mandava naquele local. Isso desagradou a vítima e deu início a um bate-boca”, explicou o delegado.
Após a primeira discussão, cada grupo voltou à sua mesa. Pouco tempo depois, quatro homens chegaram ao restaurante e ocuparam uma mesa entre os dois grupos. Inicialmente, segundo a investigação, eles aparentavam não ter qualquer relação com a confusão.
No entanto, a polícia descobriu que os homens haviam sido chamados por Daniel para atuar como seguranças. “A investigação revelou que, assim que ocorreu o primeiro atrito, esses quatro indivíduos foram convocados para fazer a segurança desse líder criminoso. Eles chegaram ao restaurante justamente para protegê-lo”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a polícia, a discussão recomeçou minutos depois e precisou, inclusive, da intervenção de funcionários do restaurante. Foi nesse momento que Daniel sacou uma arma e atingiu Rafael com uma coronhada na cabeça.
“Quando a discussão voltou de forma mais acalorada, Daniel levantou, sacou uma arma de fogo e desferiu uma coronhada na cabeça da vítima. Logo em seguida, um dos homens que fazia sua segurança levantou, sacou uma arma e efetuou dois disparos no rosto de Rafael”, detalhou o delegado Marcos Castro.
Após os tiros, os criminosos fugiram depois de roubarem o carro de um idoso. Enquanto isso, Daniel permaneceu no restaurante.
“A investigação mostrou que ele permaneceu no estabelecimento, pagou cerca de R$ 4 mil em espécie referentes ao consumo e saiu com tranquilidade, acompanhado dos outros seguranças. Só depois determinou que eles fossem resgatar os dois que haviam fugido”, explicou a delegada Marina Delgado.
Polícia descarta versão apresentada pelo executor
A Polícia Civil também descartou a versão apresentada pelo executor dos disparos, Kelvin Michael da Silva. Após o crime, ele alegou que havia matado Rafael por causa de uma suposta dívida financeira, mas, segundo a investigação, não apresentou qualquer prova que sustentasse a narrativa, que foi considerada inconsistente.