Mais de 36 mil mulheres sofreram violência em Pernambuco no primeiro semestre, segundo a SDS
Levantamento da Secretaria de Defesa Social aponta aumento de 9,3% nas ocorrências em relação ao mesmo período de 2025. Em média, oito mulheres são vítimas de violência por hora no estado
Entre janeiro e junho deste ano, Pernambuco registrou 36.095 ocorrências de violência contra a mulher, um aumento de 9,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 33.021 casos. Os dados são da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística (GGace), da Secretaria de Defesa Social (SDS).
Na prática, os números mostram que, em média, 6.016 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência por mês, o equivalente a 1.389 por semana e cerca de 199 por dia.
Isso significa que, a cada hora, aproximadamente oito mulheres sofreram algum tipo de violência em Pernambuco, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou sexuais.
Enquanto os registros de violência contra a mulher cresceram, os casos de feminicídio apresentaram redução no estado. Segundo a SDS, entre janeiro e junho deste ano foram registrados 37 feminicídios, contra 51 no primeiro semestre de 2025, uma redução de 27,45%.
Apesar da queda nos indicadores, os casos registrados nos últimos dias reforçam que a violência letal contra as mulheres continua presente em Pernambuco. Somente na última semana, duas mulheres foram mortas e outra ficou ferida em ataques praticados por companheiros ou ex-companheiros.
Na última quarta-feira (8), Rafaela Gonçalves Silva, de 26 anos, foi morta a tiros dentro da própria casa, na Rua São Benedito, no município de Capoeiras, no Agreste. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito é o companheiro da vítima, Pedro Macena, que teria efetuado diversos disparos de espingarda e fugido em seguida.
Familiares relataram que Rafaela já havia sido vítima de outras agressões praticadas pelo companheiro. Em um dos episódios, ela teria sido esfaqueada na região dos seios. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Capoeiras, que realiza diligências para localizar o suspeito e esclarecer as circunstâncias do crime.
Dias antes, no domingo (5), outra mulher foi assassinada em um caso investigado como feminicídio no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife. Gabriela Gomes da Silva, de 29 anos, morreu após ser atacada com golpes de faca dentro de casa. Durante o crime, uma adolescente de 13 anos também ficou ferida e foi socorrida para uma unidade de saúde.
Segundo a Polícia Militar, o principal suspeito é o companheiro de Gabriela, um homem de 40 anos, que permanece foragido. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em Caruaru, a auxiliar de serviços gerais Keila Poliana, de 41 anos, conseguiu escapar da morte. Ela foi ferida no pescoço e em uma das mãos com golpes de punhal desferidos pelo ex-companheiro. O caso aconteceu na última quinta-feira (2).
À Polícia, Keila contou que o suspeito foi até sua residência alegando que buscaria alguns documentos. Durante a visita, ele a atacou. O homem foi preso em flagrante, passou por audiência de custódia e permaneceu à disposição da Justiça.
- Mulher é morta com tiros de espingarda pelo companheiro em Capoeiras, no Agreste de Pernambuco
- Mulher e dois homens são assassinados em Caruaru, no Agreste de Pernambuco
- Mulher de 29 anos é morta e adolescente de 13 anos fica ferida em Nova Descoberta
- Mulher é morta a tiros enquanto amamentava o filho na Zona Oeste do Recife
Rede de atendimento
De acordo com a SDS, Pernambuco conta atualmente com sete Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) funcionando 24 horas, localizadas no Recife, Prazeres, Olinda, Paulista, Caruaru, Petrolina e Cabo de Santo Agostinho.
Nos municípios que não possuem delegacias especializadas, o atendimento é realizado pelas delegacias circunscricionais, muitas delas equipadas com a Sala Lilás, espaço destinado ao acolhimento de mulheres em situação de violência. Todas as unidades da Polícia Civil estão habilitadas para registrar ocorrências de violência doméstica e familiar.
Ainda segundo a secretaria, as vítimas também podem utilizar a plataforma 197 Mulher, serviço digital da Polícia Civil que permite registrar ocorrências, solicitar medidas protetivas e acessar atendimento remoto, sem necessidade de comparecimento imediato a uma delegacia.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Denúncias anônimas podem ser feitas pelos números 181 e 0800 081 5001.