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Pernambuco executa plano com 50 ações para prevenir ataques com tubarões, segundo Cemit

Aplicativo para mapear áreas de risco, capacitação do setor turístico e campanha educativa para turistas de Noronha ainda estão em desenvolvimento

Por Adelmo Lucena

Pernambuco já soma 27 mortes causadas por tubarões desde 1992

Elaborado para reduzir os riscos de ataques com tubarões no litoral pernambucano, o Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões (PEAST-PE) tem cerca de 80% das ações executadas, segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Ao todo, o plano conta com 50 ações.

Entre as iniciativas ainda em andamento estão a criação de um aplicativo para identificar áreas de risco, a capacitação do setor turístico e a produção de um vídeo educativo voltado a visitantes de Fernando de Noronha.

Nos últimos dias, o estado registrou mais duas ocorrências envolvendo estes animais. O terceiro caso registrado no ano aconteceu em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, envolvendo um menino de 11 anos que segue internado no Hospital da Restauração. Além dele, uma jovem de 19 anos foi mordida na perna e também segue na UTI da unidade de saúde.

O PEAST-PE foi elaborado em 2023 e reúne 50 ações distribuídas em cinco eixos estratégicos, envolvendo comunicação ambiental, capacitação de comunidades, escolas, profissionais do turismo e moradores de Fernando de Noronha.

Segundo a secretária executiva do Cemit, Danise Alves, o plano é monitorado periodicamente para verificar o cumprimento de cada ação. “Nos ciclos de monitoramento, a gente vai ação por ação e vê se ela foi concluída, se ela foi concluída com atraso, se ela ainda não foi realizada, se ela está em execução. Então, são vários parâmetros que a gente vai analisando”, afirmou.

Desde 1992, o estado contabiliza 84 incidentes envolvendo tubarões e, entre eles, 27 mortes. Diante disso, o plano parte do princípio de que a educação ambiental é a medida preventiva mais eficiente para reduzir os riscos de interação entre pessoas e tubarões, além de promover o uso seguro das praias e a conservação dos animais.

O que prevê o plano

Entre as ações previstas estão campanhas educativas em escolas, capacitações para servidores públicos, guarda-vidas, bombeiros e profissionais do turismo, além da produção de materiais didáticos, vídeos, podcasts, cartilhas digitais e conteúdos para redes sociais.

O documento também prevê a ampliação da sinalização nas praias, monitoramento das placas de advertência, instalação de painéis informativos, combate à desinformação sobre tubarões e criação de plataformas digitais voltadas à segurança aquática.

Outro foco é a formação de multiplicadores de informação. O plano estabelece ações para comunidades costeiras, pescadores, estudantes, gestores públicos e setores econômicos impactados pelos incidentes.

Em Fernando de Noronha, foram planejadas medidas específicas, como capacitação de operadores de mergulho, condutores de embarcações turísticas, rede hoteleira, pescadores e estudantes da rede pública. O objetivo é adaptar as ações à realidade do arquipélago, onde as interações entre humanos e tubarões ocorrem em contextos diferentes dos observados no litoral da Região Metropolitana do Recife.

Ações ainda em andamento

Apesar do avanço apontado pelo Cemit, algumas iniciativas ainda não foram concluídas. Uma delas é a divulgação de vídeos educativos em aeronaves que fazem a rota para Fernando de Noronha. A medida pretendia orientar turistas sobre segurança aquática e ecologia dos tubarões antes mesmo da chegada ao destino.

Segundo Danise Alves, a proposta esbarrou em limitações operacionais. “Isso ainda não conseguimos viabilizar. O que está em andamento neste momento é a produção de um vídeo educativo para ser exibido no aeroporto de Fernando de Noronha. Já em relação às aeronaves, ainda não foi possível implementar essa ação porque os aviões que operam na rota para Fernando de Noronha não contam com estrutura de televisão a bordo para a exibição desse tipo de conteúdo”, explicou.

Outra frente que ainda está sendo ampliada é a capacitação do setor turístico dos municípios litorâneos, prevista no plano como uma forma de preparar profissionais que atuam diretamente com visitantes.

“Esse também foi um desafio identificado na Região Metropolitana. É uma ação que ainda está em andamento. As equipes vinculadas ao projeto financiado pelo edital da Facepe estão realizando capacitações voltadas aos profissionais da saúde, ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras e ao setor turístico”, afirmou.

Aplicativo deve ser lançado antes do fim do ano

Outra ação ainda não concluída é a criação de um aplicativo voltado à segurança aquática, prevista no plano desde sua elaboração. A ferramenta deverá reunir informações sobre áreas de risco, correntes de retorno, locais com histórico de incidentes e pontos considerados mais seguros para banho.

“O aplicativo que está em desenvolvimento aponta áreas de risco, áreas que têm corrente de retorno, áreas onde tiveram maior incidentes, ambientes propícios para o banho, na presença de resíduos”, explicou Danise.

De acordo com a secretária executiva do Cemit, o prazo contratual prevê a entrega da plataforma apenas no início de 2027, mas a expectativa é antecipar a disponibilização.

Educação ambiental como principal ferramenta

O plano foi inspirado em modelos de conservação ambiental utilizados nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e adaptado à realidade pernambucana.

Entre as metas estão a produção de materiais educativos, criação de sites e aplicativos, campanhas permanentes de sensibilização, fortalecimento da sinalização de risco, formação de agentes multiplicadores e ações voltadas à segurança aquática em escolas e espaços públicos.

Para Danise Alves, mesmo com pesquisas científicas e outras iniciativas complementares, a conscientização continua sendo a principal estratégia de prevenção.

“Infelizmente, as pessoas ainda continuam se arriscando, mas a receita que a gente vai seguir para sempre é a educação ambiental. Por mais que a gente faça outros tipos de edital, de pesquisa, que são importantes, a educação ambiental vai ter que ser contínua”, complementa.