Médico que prestou primeiros socorros à vítimade tubarão fala sobre encontro em hospital
Profissional que ajudou a salvar a vida de Marcela Vitória destaca a importância do atendimento rápido e relata a emoção de encontrar a jovem consciente dias após o incidente
Publicado: 03/06/2026 às 19:34
Médico mineiro Mike Andrade realizou os primeiros socorros em vítima de mordida de tubarão em Boa Viagem (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)
O médico mineiro Mike Andrade viveu uma situação que jamais imaginou enfrentar durante uma suas férias ao Recife. Na tarde da última segunda-feira (1º), ele estava na praia de Boa Viagem quando presenciou o ataque de um tubarão-tigre à jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos.
Ao perceber a gravidade da situação, o profissional de saúde correu para ajudar e realizou os primeiros socorros ainda na areia da praia. A ação foi considerada fundamental para controlar a hemorragia até a chegada do atendimento especializado.
Dois dias depois, Mike reencontrou Marcela no Hospital da Restauração (HR), onde a jovem segue internada após passar por cirurgia. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, ele relembrou os momentos que antecederam o resgate, explicou os procedimentos adotados e falou sobre a emoção de encontrar a paciente consciente e em recuperação.
Qual foi sua reação ao ver que a banhista havia sido mordida por um tubarão?
Eu olhei, observei e vi o que estava acontecendo lá na água. O pessoal e o primo dela foram os que correram e entraram na água imediatamente. Eu cheguei logo em seguida e comecei a fazer a compressão.
Quais foram os principais cuidados adotados durante os primeiros socorros?
Quando eu cheguei não pensei muito. Vi a necessidade de agir rapidamente e comecei a prestar o atendimento para tentar controlar a situação.
A priori, o importante é interromper o sangramento, impedir que os vasos continuem jogando sangue para fora, porque é isso que leva ao óbito inicialmente. Mas, em segunda instância, há a questão da infecção bacteriana. Então, mantive o membro erguido para não encostar na areia, não encostar na água e permanecer sempre limpo.
Eu também coloquei a minha segurança em risco, porque não tinha nada de estrutura. Quando eu cheguei não pensei muito e só atuei.
Qual o sentimento ao saber que a jovem sobreviveu e já respira sem aparelhos?
É gratificante saber que eu pude aplicar o conhecimento na hora certa, no momento certo.
Como surgiu a ideia de visitar Marcela no Hospital da Restauração?
Nós marcamos de nos encontrarmos lá. Conversamos com a assistência social, que liberou a nossa entrada. Ela está clinicamente estável, está bem, conversando e se alimentando via oral. É óbvio que ela está bem dentro da medida do possível. Mas ela falou que está pensando positivamente no futuro, tentando encarar as coisas da melhor maneira.
Ela disse que se recordava de mim, que lembrava do meu nome.
O que mais chamou sua atenção durante esse reencontro?
Ela falou que está pensando positivamente no futuro, tentando encarar as coisas da melhor maneira. Essa viagem vai ficar na lembrança.
O caso
Marcela Vitória foi mordida por um tubarão-tigre por volta das 15h10 da segunda-feira (1º), em um trecho da praia de Boa Viagem localizado em frente ao cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Padre Bernardino Pessoa.
A jovem sofreu ferimentos na perna direita, foi socorrida inicialmente por banhistas, guarda-vidas e pelo médico Mike Andrade, sendo posteriormente encaminhada ao Hospital da Restauração, onde permanece internada. O caso ocorreu um dia após outro incidente envolvendo tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.