Lula 4 ou o retorno dos Bolsonaros? Brasil vota em 2º turno presidencial acirrado
Pesquisas eleitorais divulgadas no sábado pelos institutos Datafolha e Quest mostraram que Bolsonaro tem 51% das intenções de voto, contra 49% para Lula
Os brasileiros vão às urnas neste domingo (25) com uma escolha decisiva a fazer: mais quatro anos sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou um retorno à direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Esta é a batalha eleitoral derradeira para Lula, que completa 81 anos na próxima semana e espera conseguir uma reviravolta dramática após terminar em segundo lugar, em uma surpreendente derrota no primeiro turno, atrás do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As pesquisas eleitorais divulgadas no sábado pelos institutos Datafolha e Quest mostraram que Bolsonaro tem 51% das intenções de voto, contra 49% para Lula.
O segundo turno deste domingo determinará se o Brasil continuará sendo uma das poucas nações de esquerda da América Latina ou se se juntará à guinada regional à direita defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não declarou abertamente apoio ao filho de seu aliado.
Lula, que busca um quarto mandato, apresentou-se como uma barreira contra a interferência dos Estados Unidos e o retrocesso democrático, além de prometer ampliar a proteção social.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, prometeu combater a criminalidade com mais rigor e reduzir os gastos públicos, ao mesmo tempo que entregaria o Brasil ao "Senhor Jesus Cristo", com uma mensagem de mudança que conquistou os brasileiros em busca de algo novo.
"Já basta, foram 16 anos desse governo, a gente viu que não deu certo. É hora de mudança", disse João Paulo, de 37 anos, durante um comício em Belo Horizonte, referindo-se, aproximadamente, ao período em que o Partido dos Trabalhadores governou o Brasil.
Flávio Bolsonaro apresentou-se como mais moderado do que seu pai, conhecido por seus discursos inflamados, que está cumprindo uma pena de 27 anos em regime de prisão domiciliar por uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022.
Ele prometeu que, se for eleito, seu primeiro ato será libertar Jair Bolsonaro, uma figura profundamente divisiva e cujo legado teve grande influência sobre a campanha de seu primogênito.
Após a derrota no primeiro turno, a esquerda entrou em ação com grandes manifestações que proclamavam "Bolsonaro Nunca Mais", nas quais os manifestantes relembraram a condução caótica da pandemia de Covid pelo ex-presidente, a devastação da floresta amazônica e os cortes nos programas públicos.
O desmatamento da maior floresta tropical do mundo atingiu seu nível mais baixo em quatro décadas durante o governo Lula.
No entanto, enquanto o fenômeno climático El Niño alimentava incêndios que, nas últimas semanas, cobriram cidades amazônicas de fumaça, as mudanças climáticas mal apareceram na campanha eleitoral.
"O Exército do Lula" reage
Lula, reverenciado pelos programas de assistência social que tiraram milhões de pessoas da pobreza, protagonizou um retorno dramático ao poder nas eleições de 2022, após ser preso por corrupção por mais de 18 meses em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.
As acusações, anuladas por questões processuais, continuaram a assombrá-lo.
Em seu terceiro mandato, ele supervisionou uma queda da inflação e do desemprego e tirou milhões de pessoas da fome, mas os eleitores reclamam do alto custo de vida e estão cansados da criminalidade.
As famosas políticas sociais de Lula tornaram-se um ponto de tensão, à medida que ele ampliou os programas de assistência social durante a campanha, enquanto seus críticos defendem que o governo contenha os gastos públicos.
"Mesmo que as pessoas chamem de esmola, para nós foi uma ajuda sem tamanho. Porque aquele que já passou fome não relaxa esses programas", disse Walter dos Santos, de 56 anos, que vive no Maranhão.
Após o revés no primeiro turno, Lula reformulou sua estratégia nas redes sociais, recorrendo a vídeos gravados em estilo selfie e até comprando seu primeiro celular.
Também contou com uma mobilização digital sem precedentes de sua militância, que criou um canal no WhatsApp, o "Exército do Lula", que conta com mais de 10,8 milhões de seguidores.
Uma intensa batalha nas redes sociais envolveu a Meta, empresa controladora do WhatsApp, do Facebook e do Instagram, que a campanha de Lula acusou de favorecer seu adversário por meio de "manipulação algorítmica".
A Meta negou a acusação, mas reconheceu que alguns anúncios da campanha de Lula haviam sido desativados por engano devido a erros técnicos.
O dia seguinte
Independentemente de quem vencer, o Brasil enfrentará um período posterior às eleições marcado por fortes tensões.
"Se a esquerda vencer, ganha quatro anos com um Congresso hostil e ameaças de impeachment", afirmou o analista político Thomas Traumann, referindo-se aos expressivos avanços legislativos da direita.
"Se a extrema direita vencer, será um governo de revanche contra o Supremo Tribunal Federal (STF)", instituição detestada pela direita após a condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.
Flávio Bolsonaro afirmou que buscará o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, que conduziu o processo contra seu pai.