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Coligação de Raquel entra com ação judicial contra João Campos e núcleo de perfis nas redes sociais

Ação da Coligação Pernambuco de Coração, da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), pede ao TRE-PE a apuração de abuso de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação por parte da campanha de João Campos e perfis nas redes sociais

Por Nicolle Gomes

Candidatos Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB)

A Coligação Pernambuco de Coração, que apoia a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o candidato ao governo do estado, João Campos (PSB), e seu candidato a vice, Carlos Costa (Republicanos). A representação pede a apuração de supostos abusos de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. Um núcleo de perfis digitais supostamente coordenado para atacar a chefe do Executivo estadual também é alvo da ação.

A coligação divulgou, nesta quarta-feira (30), que requereu à Justiça Eleitoral a apuração sobre a atuação coordenada desse núcleo de páginas, entre elas "Raquel Bolada" e "João Campos Platinado", e de seus administradores já identificados. O objetivo da rede, segundo a acusação, seria manipular a opinião pública para prejudicar a imagem de Raquel e favorecer João Campos de forma sistemática.

O pedido de investigação cita as plataformas Facebook e TikTok como destinatárias de eventuais ordens judiciais. A equipe jurídica de Raquel Lyra pede o aproveitamento de provas, documentos e registros já produzidos em representações e medidas cautelares anteriores, especialmente os dados relacionados à identificação dos administradores dos perfis, publicações e interações digitais.

Quebra de sigilos e pedidos de informação

A chapa governista solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Eduardo da Silva Souza, responsável pelas páginas do Instagram “@raquel_bolada” e do TikTok “@eduardoninoof”, e de Marcelo Augusto Serra Diniz, do perfil de Instagram “@marcelodinizpe”.

A ação também mira as pessoas jurídicas MD Inteligência Digital Ltda. e U Porto Agência de Publicidade Ltda. Foi pedida a quebra de sigilo financeiro no período entre 1º de junho e 4 de outubro deste ano, além do detalhamento de operações realizadas com a Pernambuco Conservadora Ltda., Avesso Comunicação, Prefeitura do Recife, Diretório do PSB em Pernambuco e a própria campanha da chapa João Campos/Carlos Costa.

A reportagem do Diario procurou a campanha de João Campos e Carlos Costa, mas não obteve posicionamento até a publicação desta matéria.

Notificação à Prefeitura do Recife

A ação pede à Prefeitura do Recife para que apresente, em 10 dias, o contrato celebrado com a Pernambuco Conservadora Ltda. e a relação de trabalhadores por ela alocados na Secretaria de Articulação Política e Social, na qual figuraria Eduardo da Silva Souza, conhecido como Eduardo Nino.

A coligação pede informações sobre o vínculo de Eduardo Nino com a empresa, como lotação, jornada e registros de frequência.

Ele é, segundo a coligação governista, cabo eleitoral do PSB, mais especificamente, do secretário de Esportes do Recife e vereador licenciado da capital, Eduardo Mota (PSB). Mota é filho do coordenador político de João Campos, o ex-deputado estadual Nilton Mota.

Na ação, também é requerido o plano de mídia e os pedidos de inserção destinados ao Blog Marcelo Diniz/MD Inteligência Digital Ltda., com as notas fiscais, ordens de pagamento e comprovantes de veiculação correspondentes.

O pedido de investigação também contempla as faixas de endereços IP das redes de dados da Prefeitura, inclusive de acesso remoto. O Diario também procurou a Prefeitura do Recife e aguarda retorno.

O corpo jurídico da coligação de Raquel Lyra aponta indícios de conexões técnicas, operacionais, financeiras e administrativas entre os investigados, citando padrão repetitivo de conduta entre as páginas envolvidas. O processo abrange também os perfis @jefinhodeolinda, @rodrigocastelli.pe, @esquerdape, @paulistaresiste, @pernambuco40_joaocampos, @jatobaordinario, @brunocribeiro_ofc e @tocomjoaobuique.

A chapa governista argumenta ainda que os administradores das páginas investigadas foram representados pelo mesmo advogado, Celso Rocha Barbosa Souza, em processos anteriores, ponto que também requer apuração no processo.

“Gabinete do ódio”

Esta não é a primeira contestação sobre estratégias digitais na disputa eleitoral pernambucana. Em agosto, a coligação de João Campos acionou a Justiça Eleitoral contra a campanha de Raquel Lyra, acusando o governo do estado de manter um suposto "gabinete do ódio" para fustigar opositores.