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Vorcaro volta a negar à PF a existência de grupo de intimidação e de plano de fuga

Em nota, defesa afirma que A Turma e Os Meninos "jamais designaram estruturas organizadas"; dono do Banco Master depôs nesta quarta-feira (30)

Por Guto Moraes

Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30)

Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30). O dono do Banco Master negou mais uma vez a existência de um suposto grupo de intimidação e monitoramento a seu serviço ou de um plano de fuga. Desde o início da Operação Compliance Zero, que resultou na primeira prisão do banqueiro, a possível existência de uma estrutura de coerção privada é levantada pela PF.

Originalmente o depoimento estava marcado para a última quinta-feira (24), mas foi adiado depois de a defesa alegar que não tinha acesso integral às investigações. Em nota à imprensa, a representação de Vorcaro reiterou que, com "efetivo acesso ao inquérito" na oitiva, as expressões "A Turma" ou "Os Meninos" jamais designaram "grupos específicos ou estruturas organizadas". 

De acordo com a defesa, Vorcaro tinha apenas um contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital com Luiz Phillipe Mourão, o Sicário. Apontado pela PF como "braço operacional" de "A Turma", Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês. Preso em 4 de março, ele cometeu suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte.

Ainda no depoimento, o banqueiro - preso pela primeira vez no dia 17 de novembro de 2025 quando tentava deixar o Brasil -, negou que houvesse um plano de fuga, argumento reiterado pela "prévia comunicação da viagem a diversas autoridades, bem como reservas antecipadas de hotel e salas de reunião e registros de voo".

"Vale rememorar que a ordem de prisão foi expedida bem após tais providências, às 15h29 do dia 17 de novembro de 2025", assinala a defesa na nota.

Daniel Vorcaro foi solto em 29 de novembro de 2026 e teve uma segunda prisão realizada no último dia 4 de março, na terceira fase da operação. Nesta última, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a preventiva após a PF localizar mensagens em um dos celulares de Vorcaro que mencionavam "A Turma".

"Causa enorme perplexidade que mensagens protegidas por sigilo legal, entre Daniel Vorcaro e seus advogados, sejam ilegalmente devassadas, vazadas e utilizadas para narrativas fantasiosas", conclui a nota divulgada pela defesa de Vorcaro representada pelos advogados Sergio Leonardo, Engels Muniz e Daniel Bialski.