Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso pela PF em nova fase da Operação Compliance Zero
A ordem judicial integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário relacionado à comercialização de títulos de crédito falsos
Diario de Pernambuco e Estadão Conteúdo
Publicado: 04/03/2026 às 07:29
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Banco Master)
Foi preso, na manhã desta quarta-feira (4), em São Paulo, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A detenção foi realizada pela Polícia Federal, que cumpriu mandado de prisão preventiva expedido no âmbito de uma investigação sobre fraudes financeiras. As informações são do portal g1.
Essa é a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso.
A ordem judicial integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário relacionado à comercialização de títulos de crédito falsos. Conforme as apurações, o banco é suspeito de participação na venda desses papéis, que teriam sido utilizados em operações financeiras de grande porte.
O nome da operação, segundo a PF, faz referência à ausência completa de mecanismos de controle interno nas instituições envolvidas, o que teria permitido a prática de crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Também são cumpridos outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Após a prisão, Daniel Vorcaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal na capital paulista, onde permanece à disposição da Justiça.
Daniel Vorcaro havia ficado 11 dias preso em novembro, quando a primeira fase da operação foi deflagrada por ordem da Justiça Federal de Brasília. Depois, sua defesa conseguiu levar a investigação para o Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria de Dias Toffoli, o inquérito passou a ter atritos constantes com a Polícia Federal.
Toffoli deixou o caso no mês passado, depois que a PF entregou um relatório ao Supremo contendo menções ao nome dele e conversas do ministro com Daniel Vorcaro. O inquérito, então foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que vinha estudando o caso e autorizou a deflagração dessa nova fase da operação.
A investigação teve início em 2024, quando o Banco Central (BC) identificou irregularidades nas operações do Banco Master e comunicou o caso ao Ministério Público Federal (MPF).