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"Até em caixa de charuto": suposto operador de rede contra João Campos detalha pagamentos em novo vídeo

Amisadai Andrade em uma reunião, detalhando como seria a produção, pagamento e distribuição de conteúdos contra João Campos (PSB) nas redes sociais

Por Nicolle Gomes

Em novo vídeo, Amisadai detalha como funcionaria sistematização de ataques contra candidato João Campos

Um novo vídeo mostra Amisadai Andrade, suposto coordenador de um "gabinete do ódio" contra o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), detalhando um esquema para difamar o socialista nas redes sociais. Nas imagens, veiculadas pela TV Record neste sábado (26), o ex-servidor do estado de Pernambuco comenta sobre uma “estrutura com jornalistas” para “bater em João”.

O Diario de Pernambuco teve acesso à gravação, que mostra uma reunião de Amisadai Andrade com José Roberto Júnior e Rodolfo Costa, sócios do site Portal de Prefeitura, também apontados como participantes do esquema.

“A gente tem uns parceiros aqui que ‘batem’ em João, a gente tem uma estrutura lá de jornalista e tal”, diz Amisadai. Logo depois, Rodolfo acrescenta: “A gente já se conhece, tanto é que você vê que a gente tem collab, então a gente já tem uma relação”, diz sobre publicação nas redes sociais.

A existência de um suposta rede de ataques organizada pelo governo de Pernambuco, com o objetivo de perseguir adversários da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), repercutiu no fim de agosto, após uma reportagem da TV Record.

A matéria apontava que Amisadai, um servidor da Caixa Econômica Federal emprestado ao governo de Pernambuco para a Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco (Setur), seria o organizador do esquema, que envolvia o site Portal de Prefeitura para atacar João Campos nas redes sociais. Para isso o portal receberia dinheiro de verbas de publicidade do governo.

No novo trecho do vídeo que veio à tona neste sábado, Amisadai e Rodolfo explicam informações sobre como era o pagamento para realização de postagens, que envolvia uma rede de cerca de sete perfis “parceiros”.

“Do lado de cá a gente acerta direitinho, paga eles, tudo ‘redondinho’,” fala Amisadai, complementado por Rodolfo, que diz: “O cliente paga em dinheiro se preferir”. Ainda sobre pagamentos, Amisadai adiciona que tinha um cliente que pagava na “caixa de charuto”.

Ainda de acordo com a reportagem de Record, só neste ano, o Governo de Pernambuco teria pagou R$ 186 mil ao Portal de Prefeitura. O veículo afirma, também que o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), a Controladoria Geral da União (CGU), e os Ministérios Públicos de Pernambuco e Eleitoral foram acionados para investigar o caso.

Defesa de Amisadai

O Diario procurou a defesa de Amisadai Andrade e também Rodolfo Costa. Nenhum deles retornou o contato. O espaço segue aberto. Em posicionamento anterior, a defesa de Amisadai Andrade negou que ele tenha integrado ou operado qualquer estrutura de “gabinete do ódio”.

O advogado Luiz Rocha reconheceu, no entanto, que o ex-servidor utilizou “falas impróprias” e se excedeu ao tentar demonstrar uma influência dentro do governo estadual que, segundo a defesa, ele não possuía.

A defesa também colocou em dúvida a autenticidade de parte do material divulgado pela TV Record. Os advogados protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal e levantaram a hipótese de manipulação eletrônica, cortes seletivos, descontextualização das conversas e até uso de inteligência artificial. Também solicitaram uma perícia técnica e acesso aos arquivos originais das gravações.

Luiz Rocha negou ainda que Amisadai tenha se reunido com Raquel Lyra, para planejar ataques ou discutir estratégias digitais. Segundo o advogado, as passagens do ex-servidor pelo Palácio do Campo das Princesas ocorreram por motivos profissionais, em contatos com a Secretaria de Comunicação e para tratar de questões relacionadas à sua nomeação no governo.

Governo de Pernambuco nega qualquer vínculo

Desde que o caso veio a público, a governadora Raquel Lyra negam a existência de uma estrutura organizada pela gestão estadual para atacar adversários políticos. Amisadai Andrade, que ocupava o cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer, foi exonerado no dia seguinte à exibição da primeira reportagem da TV Record sobre o caso.

Em sabatina promovida pelo Diario de Pernambuco, Raquel afirmou ter sido surpreendida pelas declarações do então servidor e contestou qualquer participação direta no suposto esquema. Ao ser questionada sobre a alegação de que Amisadai teria conversado com ela, a governadora respondeu: “Eu quero ver provar. Eu quero ver prova”. Raquel também argumentou que a atuação individual de um servidor não poderia ser atribuída automaticamente ao governo.

A campanha da governadora também adotou medidas judiciais após a repercussão do caso. Raquel apresentou uma interpelação judicial para que João Campos esclarecesse as acusações de existência de uma suposta “milícia digital” a partir do Palácio do Campo das Princesas. Na ocasião, sua defesa sustentou que o adversário havia atribuído à administração estadual a atuação de uma organização clandestina e pediu que ele indicasse em quais fatos baseava as declarações.

Raquel também afirmou que sua campanha havia denunciado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) mais de 430 perfis que classificou como “robotizados” e uma outra suposta estrutura, formada por mais de 40 perfis, que, segundo ela, atuaria na disseminação de ataques contra sua candidatura.