"Até dezembro vamos ter a nova orla do Recife", afirma Victor Marques sobre obra em Boa Viagem
Em entrevista exclusiva ao Diario, Victor Marques mencionou prioridades da gestão, avaliou o cenário eleitoral em Pernambuco e confessou extrema admiração ao presidente Lula
Após 130 dias à frente da Prefeitura do Recife, Victor Marques (PCdoB) vê com tranquilidade o lugar que ocupa, assentado no projeto de continuidade da gestão do PSB e de João Campos na capital pernambucana. Em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, nesta quinta-feira (13), o prefeito assegurou que não está preocupado em construir uma “marca” própria, mas em manter o ritmo de entregas e, ao mesmo tempo, conduzir projetos que deverão produzir efeitos para além do atual mandato.
Entre eles estão a requalificação da orla de Boa Viagem, cuja pavimentação promete concluir até dezembro, e a estratégia de reocupação do Centro do Recife, que já começa a sair do campo das intenções com a aquisição de quatro prédios na Avenida Guararapes, destinados à criação de cerca de 500 moradias. Entusiasta declarado do presidente, o prefeito vê na parceria com o governo federal uma das chaves para ampliar investimentos no Recife e não esconde sua aposta no resultado das urnas. “A gente vai ter uma alegria grande de ter Lula presidente, João Campos governador e eu prefeito para ver muita coisa acontecendo ainda na nossa cidade.”
Após 130 dias à frente da Prefeitura, qual é a avaliação desse primeiro período marcado pela sucessão do mandato de João Campos?
Tive a alegria de fazer essa sucessão de forma muito tranquila. Construímos muita coisa juntos e o sentimento do Recife era de que esse trabalho precisava seguir em um ritmo forte. Nesses 130 dias, o que posso destacar é que o ritmo foi e está mantido. Estive praticamente todos os dias na rua, fazendo todo tipo de agenda que uma prefeitura faz: vistoriando obra de proteção de encosta, calçamento de rua, praça, parque, escola, creche. Aquele monte de coisa que todo mundo estava acostumado a ver o ex-prefeito João Campos fazendo, tive a alegria de fazer nesses 130 dias.
Mas pensando na gestão Victor Marques, qual seria a marca que você destacaria como aquela que gostaria de ser reconhecido?
Se você me perguntar o que pode ficar como marca, eu destacaria a educação. Estamos construindo cinco complexos educacionais. Um aluno vai entrar no berçário e só sair de lá no nono ano. Isso comunica muito com o que eu acredito: desde a primeira infância, cuidar daquela criança, dar segurança alimentar e um projeto educacional de fato faz diferença. Se eu pudesse ser o prefeito que mais trabalhou pela educação, seria um grande sonho.
O senhor fala muito de infraestrutura e educação. Outras áreas, como cultura e assistência social, correm o risco de ficar em segundo plano?
O prefeito engenheiro tende a querer falar mais sobre obra, mas isso não significa que não exista engajamento e força nesse cuidado. Quando falamos sobre população em situação de rua, eu sempre gosto de deixar muito claro: muita gente olha para aquela situação como algo feio ou ruim para a cidade. Eu tento colocar no outro ponto de vista: se está ruim para quem está vendo, imagine para quem está naquela condição. Nosso foco prioritário é atenção e cuidado para que aquele cidadão tenha o mínimo de dignidade. Temos várias frentes dentro do Recife Acolhe, por exemplo: restaurantes populares, abrigos noturnos e, principalmente, empregabilidade.
A orla de Boa Viagem tem sido alvo de muitas críticas por causa dos transtornos e atrasos. Quando o recifense verá o resultado?
Essa é uma obra que gera um transtorno muito grande. Como prefeito e como engenheiro, tenho muita segurança sobre a decisão que foi tomada. É uma intervenção muito grande. Quando juntarmos com Brasília Teimosa, serão quase 10 quilômetros de extensão. Temos escavações de até cinco metros de profundidade e sete tipos de instalações subterrâneas: esgoto, água, drenagem, energia, iluminação pública, gás e telecomunicações.
A obra é desafiadora. Temos tentado melhorar sinalização e iluminação, aumentar equipes e minimizar o impacto. É um transtorno grande. É ruim, é feio, é sujo. Mas nós vamos ter uma orla completamente diferenciada. O passeio está maior, a ciclovia está mais reta, o mobiliário é diferente, a iluminação foi melhor pensada. Estamos entrando em uma fase de finalização das grandes escavações. O nosso sentimento é que até dezembro o pavimento estará concluído e teremos uma nova orla do Recife. Tomamos a decisão que achávamos correta e seguimos firmes.
O Centro do Recife é um dos grandes desafios da cidade. Quando podemos esperar um Centro diferente, com mais moradores e mais vida?
É importante destacar que o esvaziamento de moradores do Centro não tem um motivo só. Ele foi acontecendo por diversos motivos: mudança no perfil comportamental de quem compra, surgimento dos shoppings, depois as compras pela internet e o crescimento da cidade para outras áreas. No último Censo, o Recife perdeu população, o que não fazia muito sentido pela demografia da cidade. Paulista aumentou muito a população, São Lourenço aumentou, Camaragibe aumentou e o Recife perdeu.
E qual é a estratégia da Prefeitura para mudar esse cenário?
Nos próximos dias devo anunciar, porque já é algo praticamente fechado, que quatro prédios inteiros foram adquiridos na Avenida Guararapes e serão transformados em unidades habitacionais. Isso passa por licenciamento urbanístico para definir a área e a quantidade de unidades, mas a expectativa é que esses quatro prédios possam gerar cerca de 500 moradias. Se você colocar quatro pessoas por família, estamos falando de 2 mil pessoas. Hoje, naquela área, naquele perímetro, moram cerca de 600 pessoas. Com esse movimento, em algum tempo, você vai multiplicar por mais de três a quantidade de habitantes. É algo de médio prazo.
Vamos falar de eleição. Como avalia a disputa pelo Governo de Pernambuco entre Raquel Lyra e João Campos?
A eleição será certamente muito disputada, polarizada. João foi um prefeito muito bem avaliado, teve uma reeleição muito forte e muita entrega para mostrar. Meu sentimento é que a gente possa fazer um debate sobre o que realmente é importante: como está a saúde do Estado, como está a educação, o que enxergamos para o longo prazo e quem pode entregar mais.
O prefeito apontaria falhas do governo Raquel Lyra que João Campos deveria priorizar caso seja eleito?
Tenho muito mais condição de pontuar como João poderia atuar, principalmente pela força política e pela capacidade de articulação. Há muito tempo não se tinha um grande presidente que gosta de Pernambuco e faz muito por Pernambuco. Vi oportunidades passarem. Outros estados do Nordeste estão crescendo muito mais, com grande parte desses investimentos chegando. Tenho muita segurança de que, com João governador, Pernambuco viverá um novo ciclo, como as pessoas se acostumaram a ver com Eduardo Campos, quando tudo que vinha para o Nordeste normalmente chegava primeiro a Pernambuco e o Estado estava na liderança.
Como está sua relação com o presidente Lula e com o Governo Federal?
O presidente Lula é um craque. Eu sou um grande entusiasta do presidente. Acho que as escolhas dele são sempre voltadas para quem mais precisa. O CPF de Victor Marques é um CPF que acredita no projeto e no programa do presidente Lula. Estou extremamente confiante de que o presidente Lula será reeleito. No cenário que vemos hoje, pelas políticas que foram consolidadas e pela forma como o Brasil enxerga o que está acontecendo, tenho certeza de que ele será presidente. E teremos a alegria de ter Lula presidente, João Campos governador e eu prefeito para ver muita coisa acontecendo ainda na nossa cidade.
Nos bastidores, havia quem o identificasse como um prefeito de transição. O senhor já pensa em reeleição ou em outros cargos políticos?
Tenho felicidade e orgulho de ser, de fato, uma gestão de continuidade. O grupo que construiu as políticas públicas e tudo que vemos no Recife avançado é o mesmo grupo. Fico feliz de ser parte desse processo. É lógico que tenho meu perfil e João tem o dele. Construímos muita coisa juntos.
Mas aprendi que precisamos viver um dia de cada vez. Tenho que sair de casa todo santo dia para resolver os problemas da nossa cidade. É isso que as pessoas esperam de nós. Se eu começar a projetar o futuro, vou passar a me preocupar menos com o presente. A cidade não merece alguém que não pense em tomar conta do desafio que recebeu da população. Na hora certa, vamos poder falar de todos esses temas, sobre política e eleição. Eu gosto de política, gosto de debater política, mas, neste momento, meu grande foco é resolver os desafios que o Recife vive.