TRE-PE determina remoção de publicação feita com IA que associa Raquel Lyra a Flávio Bolsonaro
Decisão do desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno também determinou que o Instagram informe à Justiça quem é o responsável pela página que publicou o conteúdo
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a remoção imediata de uma publicação feita com inteligência artificial que associava a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada pelo desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno após ação apresentada pela coligação da governadora.
A postagem, publicada pelo perfil @juventudejoaocampos, simulava uma fotografia de Raquel Lyra ao lado de Flávio Bolsonaro e trazia a frase: “Em Pernambuco, o bolsonarismo é roxo”. A governadora mantém posição de independência em relação à disputa presidencial.
Na decisão, o desembargador avaliou que o conteúdo atribui à candidata “determinada proximidade e alinhamento político”. O magistrado também questionou o uso de inteligência artificial sem a devida identificação de que se tratava de material manipulado, em desacordo com as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições deste ano.
Além da retirada da publicação, o TRE-PE determinou que o Instagram informe à Justiça a identidade do responsável pela página. A pessoa deverá ser identificada para prestar esclarecimentos no âmbito da investigação.
Disputa sobre ataques nas redes sociais
A decisão ocorre em meio à troca de acusações entre as campanhas de Raquel Lyra e João Campos (PSB) sobre a atuação de perfis e possíveis estruturas organizadas para disseminação de conteúdos nas redes sociais.
Na última terça-feira (11), João Campos esteve no TRE-PE acompanhado do candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos). O candidato da Frente Popular se reuniu com o presidente do tribunal, desembargador Fernando Cerqueira, e pediu atenção da Justiça Eleitoral para a disseminação de fake news e para a atuação do que classificou como um suposto “gabinete do ódio” nas redes sociais.
Segundo Campos, haveria uma estrutura organizada de ataques virtuais contra ele e seus aliados. O candidato defendeu a apuração de eventuais irregularidades e destacou a atuação das instituições no combate à desinformação durante o processo eleitoral.
O tema também tem sido explorado pela campanha de Raquel Lyra. No último sábado (8), a governadora afirmou ter registrado um boletim de ocorrência após a circulação de um vídeo falso que utilizava sua imagem para solicitar transferências de dinheiro via Pix.
O conteúdo circulou na mesma semana em que foram divulgados dados do registro de candidatura da governadora na plataforma DivulgaCand, entre eles a declaração de bens. Segundo as informações apresentadas, Raquel declarou patrimônio de R$ 359,4 mil, sendo R$ 289,5 mil referentes a um apartamento, R$ 69,9 mil em aplicações financeiras e R$ 1 em conta bancária.
João Campos também acionou a Justiça
Em junho, João Campos também recorreu à Justiça Eleitoral para solicitar a retirada de vídeos produzidos com inteligência artificial que faziam sátiras políticas envolvendo o candidato e a deputada federal Tabata Amaral (PSB), sua esposa.
As medidas ocorrem em um cenário de crescente atenção da Justiça Eleitoral ao uso de inteligência artificial e à disseminação de conteúdos manipulados durante a campanha de 2026.