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Principal negociador do Irã classifica resultado eleitoral nos EUA como um 'não à guerra'

Autoridades em Teerã veem derrota republicana como rejeição popular ao conflito; do outro lado, Donald Trump admite impacto da guerra nas urnas, mas não descarta novas ações militares

Por Isabel Alvarez

"Teóricos da conspiração, traidores e vazadores, tomem cuidado", declarou Trump

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou a histórica derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos EUA como uma rejeição popular à guerra contra o Irã. Segundo ele, o governo norte-americano não poderá ignorar a vontade dos eleitores.

“Por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram não à guerra, e nós apoiamos esta mensagem. Se o governo dos Estados Unidos trair a vontade popular para servir financiadores e chantagistas internacionais, aprenderá que o nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo”, publicou a autoridade na rede social X.

Reação em Teerã e fatores da derrota

O assessor de Comunicação do gabinete presidencial iraniano, Mehdi Tabatabaei, enfatizou que o mundo ouviu a mensagem do eleitorado nas urnas. “Os crimes contra a humanidade em Gaza, a adesão cega aos interesses do regime israelense ilegítimo e a guerra interminável com a República Islâmica do Irã infligiram ao Partido Republicano a maior derrota da história das eleições americanas. A restauração da honra da nação americana é louvável”, escreveu na mesma plataforma.

Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, em uma derrota sem precedentes do Partido Republicano do presidente Donald Trump.

O resultado decorre de um forte descontentamento da população com o alto custo de vida, a alta no preço dos combustíveis, a guerra no Oriente Médio, o não cumprimento de promessas de campanha, além de acusações de corrupção e enriquecimento no alto escalão da Casa Branca.

Posição de Donald Trump e tensão militar

Em entrevista à imprensa norte-americana, Trump reconheceu que o conflito no Oriente Médio pode ter influenciado o resultado. “Acho que parte disso se deve ao Irã”, admitiu em declaração à emissora Fox News.

No entanto, o presidente dos Estados Unidos não descartou a possibilidade de novas operações militares. “Estou pronto, estamos prontos. Estamos preparados para entrar em ação se precisarmos, mas pode não haver motivo para isso”, afirmou ao jornal Financial Times. “A guerra acabará quando eu disser que termina”, acrescentou em entrevista à CBS News.

Enquanto Washington e Teerã seguem sem acordo para cessar o conflito, Ghalibaf alertou que o Irã está “pronto para a batalha, com o dedo no gatilho”, sustentando que cabe aos Estados Unidos evitar uma nova escalada.

Ceticismo do Líder Supremo

Por sua vez, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, avaliou que não haverá mudança estrutural na postura de Washington. “A hostilidade de Washington em relação a Teerã não será alterada por mudanças partidárias nem por concessões aos Estados Unidos, e quem acredita no contrário está muito enganado”, afirmou.

Khamenei advertiu ainda que a resposta iraniana a qualquer nova agressão ocorrerá em escala muito maior, acrescentando que a destruição de bases norte-americanas na região e a gestão do Estreito de Ormuz fazem parte de uma campanha contra a hegemonia dos Estados Unidos no Oriente Médio.