° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Trump reitera que esta em vigor trégua energética entre Rússia e Ucrânia

Enquanto líder americano defende cessar-fogo no setor para conter inflação, Kiev denuncia bombardeios contra instalações e União Europeia mantém sanções a Moscou

Por Isabel Alvarez

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insistir hoje (13) que está em vigor uma trégua energética entre a Ucrânia e a Rússia, apesar do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmar que Moscou atacou várias infraestruturas energéticas no país.

“Pois, chegaram a um acordo”, afirmou Trump aos jornalistas. “Porque eu disse: ‘Vocês concordam.’ Foi por isso que concordaram. Porque eu disse que concordam”, acrescentou.

Quando questionado sobre os ataques russos, Trump respondeu: “Teria de analisar e ver, porque houve violações dos dois lados”.

Uma breve publicação de Trump nas redes sociais, no domingo, dava poucos detalhes, mas avisava que a trégua energética entrara imediatamente em vigor, acrescentando: “Não a quebrem!”

O líder norte-americano ainda negou que os EUA tenham parado de compartilhar informações sensíveis com o governo ucraniano. "Estamos ajudando e partilhando informações sensíveis. Queremos que a guerra termine, portanto, estamos a trabalhar com eles e com a Rússia para a guerra acabar", garantiu.

Contudo, até o momento há poucos sinais de que a inesperada trégua anunciada no domingo por Trump esteja produzindo efeitos, já que a Rússia continua a atacar a infraestrutura energética e os prédios residenciais da Ucrânia. O Kremlin também não confirmou ter concordado em interromper as ofensivas contra instalações de energia. Ontem, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, se limitou a declarar que os contatos continuavam.

Já a situação do abastecimento de gasolina e diesel na Rússia está sendo estabilizada após a escassez provocada pelos ataques ucranianos contra refinarias russas, de acordo com um relatório do Ministério da Energia apresentado hoje ao vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak.

Enquanto isso, Kiev afirma que não foi consultada e que apenas soube do acordo de trégua através dos meios de comunicação social. Na segunda-feira, Zelenskyy disse que as forças russas tinham atacado seis instalações energéticas em toda a Ucrânia só nesse dia. Entretanto, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia está disposta a suspender os ataques contra a infraestrutura energética russa se o outro lado também cessar os bombardeios.

União Europeia reafirma apoio a Ucrânia

A União Europeia busca manter uma posição firme e se mobiliza em apoio à Ucrânia, enquanto avalia as implicações do acordo fechado no fim de semana sobre gasóleo entre Trump e Vladimir Putin.

“Acho que temos de ser coletivamente sérios. Hoje, creio, não temos qualquer razão factual para alterar a nossa posição”, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que copiar o acordo energético estava “fora de questão” para a Europa, apesar do aumento dos preços. “A Rússia só negociará seriamente sob pressão e é por isso que mantemos as nossas sanções contra a Rússia”, disse Merz.

Os ministros das Relações Exteriores da UE também declararam que a campanha de pressão sobre Moscou continuará sem tréguas e que acrescentou 1.600 pessoas e entidades à lista de mais um robusto pacote de sanções contra a Rússia. A UE adiantou ainda que abriu mais dois grupos de capítulos nas negociações de adesão da Ucrânia ao bloco europeu, relativos ao mercado interno e à competitividade, ficando faltando apenas dois.

Em contrapartida, no acordo entre Washington e Moscou ficou liberada a importação de óleo diesel russo aos mercados americano e global. Os EUA suspenderão restrições às exportações russas de combustível até abril de 2027, mas mantendo outros ativos congelados.

Segundo Trump, a medida visa conter os preços dos combustíveis e a inflação norte-americana decorrente da crise no Oriente Médio, aliviando o custo de vida antes das eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA.