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FMI alerta que economia mundial não resiste a mais choques financeiros e geopolíticos

O evento conta com mais de 15 mil delegados, incluindo ministros da Fazenda, governadores de bancos centrais e líderes de 191 países

Isabel Alvarez

Publicado: 13/10/2026 às 14:08

 Painel "Resiliência sob pressão, escolhas urgentes" na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI)/LILLIAN SUWANRUMPHA/AFP

Painel "Resiliência sob pressão, escolhas urgentes" na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) (LILLIAN SUWANRUMPHA/AFP)

As reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial decorrem em Bangkok, Tailândia, desde o dia 12 e vão até 18 de outubro. O evento conta com mais de 15 mil delegados, incluindo ministros da Fazenda, governadores de bancos centrais e líderes de 191 países. Os principais temas são o crescimento do endividamento global, juros altos, a pressão inflacionária ligada a conflitos e os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Nas projeções do Panorama Econômico Mundial de outubro, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”, o FMI já emitiu um alerta contundente afirmando que a resiliência da economia mundial está chegando ao limite ou operando "presa por fios". Apesar do FMI ter revisado ligeiramente a projeção de crescimento global para 3,1% em 2026, a organização avisou claramente que a capacidade dos países de absorver novos choques financeiros ou geopolíticos está praticamente esgotada.

Embora haja uma revisão positiva em relação a julho, a expansão prevista para este ano representa uma desaceleração frente a 2025. Para 2027, o órgão mantém a estimativa em 3,4%.

As autoridades econômicas descrevem o cenário atual como uma "tempestade tripla" baseada em três grandes frentes de risco. A começar pelas tensões geopolíticas e a energia, uma vez que a extensão da guerra no Oriente Médio gerou o maior choque de oferta de energia da história recente, pressionando a inflação global e testando os limites das cadeias de suprimentos. O Fundo prevê maior pressão principalmente pelos preços de energia e alimentos, antes de uma redução em 2027. No entanto, os efeitos variam entre as economias. Exportadores de energia fora da área dos conflitos e nações relacionadas às cadeias de produção de tecnologia encontram condições mais favoráveis. Porém, as economias dependentes de energia importada e pouco integradas ao setor tecnológico enfrentam custos maiores e perda de poder de compra. Essa diferença pode ampliar desigualdades entre países e dentro deles, com riscos mais elevados para economias de baixa renda e famílias vulneráveis.

A crise da dívida e os juros altos também estão no cerne econômico, com os Bancos centrais do mundo inteiro forçados a manter os juros elevados para conter os preços. Isso encareceu o refinanciamento de dívidas públicas que já são colossais, limitando a margem de manobra dos governos para apoiar populações vulneráveis.

Além da questão do boom desigual da Inteligência Artificial, que se por um lado a injeção robusta de investimentos em IA tem sustentado o crescimento e evitado uma desaceleração pior, por outro ela gera novos riscos inflacionários devido ao uso massivo de energia. O FMI também advertiu que os ganhos econômicos da IA estão altamente concentrados em pouquíssimos países, como os Estados Unidos e a China, ampliando ainda mais a desigualdade mundial.

Para evitar que esse "fio" se rompa, as recomendações do FMI pedem planos urgentes e plausíveis dos governos para conter gastos públicos, reconstruir defesas fiscais e coordenar a regulamentação dessas novas tecnologias. O organismo destaca que medidas de apoio contra a alta de alimentos e energia devem ser temporárias e direcionadas aos mais vulneráveis. Já para os bancos centrais, a orientação é ajustar os juros às condições de cada economia, mantendo o controle da inflação como prioridade.

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