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Apesar do cessar-fogo, Israel ataca Gaza; cinco pessoas morrem, incluindo uma criança

A assessoria de imprensa das autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, acusou Israel de cometer cerca de 4.400 "violações do acordo de cessar-fogo", resultando em um total de 1.286 mortos e 4.257 feridos desde então

Por Estadão Conteúdo

Pelo menos cinco palestinos, entre eles uma menina, morreram nesta segunda-feira (24) em decorrência de novos ataques realizados pelo Exército de Israel contra vários pontos da Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025.

Fontes locais citadas pelo jornal palestino "Filastin" indicaram que entre os mortos estão uma mulher baleada na cidade de Jan Yunis (sul) e uma menina - Amal Nashat - atingida por outro ataque ao norte da localidade, sem que Israel tenha se pronunciado até o momento sobre o assunto.

Outros dois palestinos morreram em um bombardeio contra uma barraca usada por deslocados próximos ao Hospital Mártires de Al Aqsa, na cidade de Deir al Balá. Trata-se de Muhamad e Ibrahim Nasser Abu Asad, dois irmãos cuja família já contava com vários mortos em ataques israelenses.

Também nesta segunda-feira, o Hospital Al Nasser informou a morte de um jovem identificado como Hazem Bassam Abu Musa devido à gravidade dos ferimentos sofridos no domingo em um bombardeio israelense a oeste de Jan Yunis, no sul do enclave palestino. O hospital também informou sobre a morte de Mahmoud Hosni Abu Shar, que faleceu devido aos ferimentos sofridos na última terça-feira em outro bombardeio israelense.

Os ataques israelenses desta segunda-feira incluíram um bombardeio por aviões israelenses contra uma usina de dessalinização no bairro de Jeque Raduán, na parte norte da cidade de Gaza. As instalações ficaram totalmente destruídas e há vários feridos. Vários milhares de pessoas dependiam dessa usina de dessalinização para o abastecimento de água potável.

MAIS NOVE MORTOS APÓS A REMOÇÃO DOS ESCAVADOS

Enquanto isso, continuam os trabalhos de remoção dos escombros, que permitiram, nesta segunda-feira, recuperar nove corpos da família Salmi, quase três anos após o bombardeio de sua casa no bairro de Al Zeitún, na cidade de Gaza. A residência, localizada ao lado da Mesquita Bader, foi bombardeada em 20 de novembro de 2023, quando foi relatada a morte de 17 pessoas. Até agora, haviam sido recuperados dez corpos, aos quais se somam os nove corpos recuperados nesta segunda-feira.

A assessoria de imprensa das autoridades de Gaza, controladas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), acusou nesta mesma segunda-feira Israel de cometer cerca de 4.400 "violações do acordo de cessar-fogo", resultando em um total de 1.286 mortos e 4.257 feridos desde então.

Além disso, destacou em um comunicado nas redes sociais que "apenas 66,07 caminhões dos 189.000 que deveriam ter entrado cruzaram a Faixa de Gaza", enquanto apenas 11.759 dos 29.800 palestinos que deveriam ter recebido permissão para sair do enclave conseguiram atravessar o posto de Rafá, na fronteira com o Egito.

"Condenamos com a maior veemência a política sistemática da ocupação de atacar e exterminar o povo palestino, bem como sua política de assassinatos contínuos e ininterruptos", afirmou, antes de exigir que os mediadores "obrigem" Israel a "cumprir todos os termos do acordo e a cessar suas violações".

Por sua vez, o Ministério da Saúde de Gaza denunciou que, nas últimas 24 horas, foram registrados dois "mártires" e 32 feridos em ataques israelenses contra o enclave, antes de elevar para 1 288 o número de mortos e para 4.290 o de feridos desde a entrada em vigor do cessar-fogo, há 318 dias, e para 73.422 o de mortos e 174.401 o de feridos desde o início da ofensiva de Israel.

Nesse sentido, acrescentou que também foram recuperados 813 corpos de áreas das quais as tropas israelenses se retiraram na sequência do acordo alcançado em outubro para aplicar a proposta dos Estados Unidos para o futuro da Faixa de Gaza, que incluiu o referido cessar-fogo, como primeiro passo para um acordo de paz.