Egito e Catar pedem cumprimento do plano dos EUA em Gaza
O Cairo e Doha desempenham um papel central na mediação do conflito em Gaza
Publicado: 20/08/2026 às 16:32
Faixa de Gaza ( AFP)
O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, pediram hoje a todos os lados envolvidos que cumpram os compromissos assumidos do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza entre Israel e o grupo Hamas.
Abdulrahman e Al-Sisi se reuniram para abordar a cooperação e coordenação em curso entre o Egito e o Catar, dois mediadores no conflito, para a implementação do acordo de cessar-fogo em Gaza.
"Foi sublinhada a necessidade de todas as partes cumprirem os seus compromissos no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos para pôr fim à guerra, estabelecendo assim à estabilidade e contribuindo para o rápido início dos esforços de recuperação e reconstrução", diz o comunicado da presidência egípcia.
Também foi igualmente destacada a importância de facilitar a entrada de ajuda humanitária no enclave palestino, tendo os dois países acordado continuar a coordenação relativamente à implementação do acordo de cessar-fogo e à manutenção da paz e da estabilidade na região em geral.
O Cairo e Doha desempenham um papel central na mediação do conflito em Gaza. O Egito, devido à fronteira que compartilha com a Faixa e aos contatos que mantém com diferentes partes, e o Catar, enquanto principal canal de comunicação com o Hamas, têm acolhido negociações e trabalhado em conjunto com Washington para impulsionar o acordo de cessar-fogo.
Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (20) que a reconstrução de Gaza não terá início até que o Hamas seja desarmado. Netanyahu,também indicou que o seu governo ainda não aprovou a entrada no enclave de uma força internacional para garantir a segurança no território.
A declaração do gabinete israelense ocorre após uma reunião, na segunda-feira, em Jerusalém, entre Netanyahu e Jared Kushner, genro e conselheiro de Trump, com o diretor do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, num encontro focado no modo de como avançar com a implementação do plano destinado a terminar à ofensiva militar em Gaza. Kushner visitou, um dia antes, o Egito, onde se reuniu com uma delegação do Hamas e com mediadores egípcios.
Segundo uma fonte dos serviços de segurança egípcios disse à agencia de noticias EFE, nessa reunião esteve presente o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, que reafirmou o compromisso com o roteiro de 15 pontos de Trump, rejeitado por Netanyahu no começo de agosto.
O roteiro norte-americano prevê a entrada em Gaza de uma força militar internacional e de um comitê tecnocrático palestino para governar o enclave, após o que teria início o processo de desarmamento do Hamas, acompanhado pela retirada das tropas israelenses.
A principal divergência se concentra com a retirada do exército israelense e o desarmamento do grupo. O Hamas exige a retirada israelense antes de entregar as armas, enquanto Israel insiste em permanecer na Faixa até que esta seja desmilitarizada.
Enquanto isso, cerca de 90% das infraestruturas de Gaza estão danificadas ou destruídas depois de quase três anos de ataques israelenses, e a maioria dos seus dois milhões de habitantes vive em tendas e abrigos temporários, em condições sanitárias e humanitárias precárias.