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Cão é resgatado vivo após 29 dias sob os escombros dos terremotos da Venezuela

O cão Beily, da raça poodle, foi encontrado ao lado do corpo da dona. Menina de 11 anos, filha da vítima, já havia sido resgatada com vida

Por Villanova Neto

Beily foi resgatado sob os escombros após 29 dias com desidratação severa e diversas lesões

Na última quinta-feira (23), ou seja, 29 dias após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 (com menos de um minuto de diferença entre eles) arrasarem a cidade de Catia La Mar, no norte da Venezuela - um grupo de voluntários que trabalhava à procura de sobreviventes e de corpos ouviu um som fraco vindo de baixo de escombros que ainda não tinham sido removidos. Ao avançar em direção ao som, encontraram o improvável: Beily, um cão da raça poodle, de dois anos de idade, vivo.

Coberto de pó, extremamente desidratado, debilitado e mal conseguindo se manter em pé, o cão havia sobrevivido quase um mês sob os destroços. As imagens do resgate que mostram Beily bebendo água da mão de um dos socorristas, ainda sujo e fraco, logo depois de ser retirado das ruínas, viralizou e comoveu o mundo.

Ele foi encaminhado imediatamente para o atendimento veterinário, sendo diagnosticado com desnutrição severa e lesões nos olhos, mas também algo inesperado: um bom prognóstico de recuperação.

Na madrugada do dia 24 de junho no norte da Venezuela, após a catástrofe, milhares de famílias ficaram separadas entre os entulhos das suas próprias casas. Além de bilhões de dólares em prejuízos estimados pelo Banco Mundial, com casas e prédios inteiros destruídos, as autoridades Venezuelanas divulgaram que mais de cinco mil pessoas morreram, enquanto mais de 16 mil ficaram feridos e outras centenas perdidos.

Com Victoria, uma menina de 11 anos, a sua avó, a sua mãe e Beily, não foi diferente. A criança foi resgatada com ferimentos leves poucas horas depois dos terremotos e levada até o seu pai, Jairo, mas o restante da família permaneceu desaparecida nos destroços do prédio onde moravam.

Dia após dia, semana após semana, equipes de resgate de todo o país trabalharam para resgatar possíveis vítimas. Com o passar do tempo, o número de sobreviventes encontrados era cada vez menor, assim como a esperança de quem esperava por notícias de amigos e familiares.

Ali, nas ruínas do prédio onde morava a família e onde o cão foi encontrado, estava o corpo da mãe de Victoria, que, segundo a menina, tinha um vínculo especialmente forte com Beily, sendo praticamente inseparáveis. O corpo da sua avó também foi encontrado um pouco depois, também na mesma região.

Victoria estava com o pai quando souberam que um cachorro havia sido encontrado com vida na área próxima à sua casa e os dois correram prontamente até o local. "Fomos ver, saímos do carro e vimos muita gente em volta, e eles diziam: 'Meu Deus, um cachorro vivo!'", contou a menina em entrevista a uma TV de Caracas. Ao se aproximar, ela reconheceu Beily, mas, de tão fraco e atordoado, o cão não reagiu de imediato ao chamado dela.

Para Jairo, o que aconteceu não tem outra explicação além de um milagre. Ele lembrou que a própria filha havia sido resgatada com vida horas depois do desabamento, de dentro de uma casa que, segundo ele, ninguém imaginaria abrigar um sobrevivente. Agora, era o cão da família que desafiava as mesmas estatísticas. Victoria resumiu o sentimento de forma simples: encontrar Beily também significou, de certa forma, poder se despedir da mãe, já que foi ao lado do cão que o corpo dela foi localizado.

Hoje, sob os cuidados da menina e do companheiro da mãe, Beily segue um plano gradual de reidratação e fortalecimento muscular, acompanhado por veterinários que ajudam a custear parte do tratamento.

Nas redes sociais, nas quais Victoria (Instagram: @victorybelly) documenta cada etapa da recuperação do cachorro, milhares de pessoas têm acompanhado a história e chamado Beily, o pequeno poodle que resistiu quase um mês sob os escombros, de símbolo de esperança em meio à maior tragédia natural que a Venezuela já enfrentou.