"O STF espirra e quem pega a gripe é Lula", define aliado do presidente
sessão do supremo, se poderia estancar a combustão, terminou em pedido de vista de Flávio Dino no julgamento que poderia render investigação contra Alexandre de Moraes
Se há um consenso, entre integrantes do Governo Lula, diante da crise na qual mergulhou o Supremo Tribunal Federal (STF), é o de que isso impactou o processo eleitoral e, nesse primeiro momento, se abateu mais fortemente sobre a campanha à reeleição do presidente da República, sobretudo através da ligação do petista ao ministro Alexandre de Moraes.
Ao mesmo tempo, auxiliares do chefe do Planalto concordam em outro ponto: “O pior já passou”. A avaliação se dá com base nos trackings, que já estariam apontando recuperação do petista no páreo eleitoral. A sessão do STF de ontem, se poderia estancar a combustão na suprema corte, terminou em pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento que poderia render uma investigação contra Alexandre de Moraes.
O mecanismo adotado por Dino pode suspender a conclusão do julgamento por até 90 dias. Isso significa ganhar tempo, ou jogar esse composto explosivo para depois do pleito. Nesse ponto, entre governistas, já não se avalia com tanta assertividade, se isso pode ser bom ou ruim eleitoralmente. “Chegou-se a um nível que tudo causa prejuízo”, pondera, à coluna, uma fonte que acompanha as articulações do governo.
Na véspera da sessão, pesquisa Quaest apontou, pela primeira vez desde abril, o presidenciável Flávio Bolsonaro com vantagem numérica contra lula no segundo turno. O senador marcou 42% das intenções de votos, contra 40% do petista. O levantamento foi contratado pelo Globo e pela TV Globo após a derrubada do sigilo do caso Master no STF.
Já ontem, enquanto se desenrolava o debate no pleno, auxiliares do presidente, com base em trackings e com outras amostras a tiracolo, endossavam a tese de que uma recuperação estaria à vista. Logo no início da sessão, o ministro Gilmar Mendes acusou “inequívoco” viés eleitoral do ministro André Mendonça. “Como em nome de Deus, já se fez muita patifaria”, alfinetou Gilmar.
André Mendonça é evangélico e ligado ao clã Bolsonaro. “Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos”, reforçou Gilmar nos ataques a Mendonça em sintonia com os argumentos de Moraes. Em manifestação oficial enviada ao presidente Edson Fachin, ainda na segunda-feira (14), Moraes apontou “direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o presidente do Senado Federal e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026”.
Detalhe: foi na casa de Alexandre de Moraes que um jantar, há cerca de um mês, marcou a reaproximação de Davi Alcolumbre e de Lula. O movimento soma para engrossar os respingos na campanha. “O STF espirra e quem pega a gripe é Lula”, define, em reserva, um auxiliar do presidente à coluna.
Do Marco Zero ao Cais
O senador Flávio Bolsonaro chega ao Recife, hoje, e como a coluna antecipara na última terça (08), fará caminhada a partir do Marco Zero, às 17h30. O percurso segue pela Avenida Rio Branco e Cais da Alfândega, onde ele fará um comício às 18h30. Será a primeira agenda do presidenciável ao lado de Mendonça Filho, que concorre ao Senado pelo PL.
Mudança de Planos
Inicialmente, Flávio iria a Santa Cruz do Capibaribe, única cidade de Pernambuco onde Jair Bolsonaro teve maioria dos votos em 2022. O município no Agreste foi o primeiro destino do presidenciável anunciado por Mendonça Filho, ainda no ato do 7 de setembro, mas acabou ficando fora do roteiro, porque Flávio terá atos de campanha antes em Juazeiro do Norte (CE), onde chega às 9h, faz moto-carreata, comício e visita o Horto do Padre Cícero.
De quem é a culpa?
Ainda no início da sessão do STF, nesta terça (15), o ministro Luiz Fux elogiou a atitude do colega, Gilmar Mendes, de ter atribuído ao Palácio do Planalto, a culpa da crise. Fez referência à atuação da Polícia Federal. Disse ter admiração pela PF desde que ela “não trabalhe contra o poder Judiciário”.
“Até a máfia tem ética”
Para o ministro Gilmar Mendes, “mesmo colega que teve filho envolvido, não pode estar submetido a esse tipo de vexame”. Acusa “atitude covarde, vil” do ministro André Mendonça e faz a seguinte comparação: “Até a máfia tem ética”. Diálogo encontrado no celular de Daniel Vorcaro cita pagamento de R$ 500 mil mensais a filho do ministro Kássio Nunes, assim como mensagens revelam Vorcaro pedindo ajuda ao filho de Luiz Fux, Rodrigo Fux.
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