Ivan: "Não sofria porque nunca se articulava"
Candidato a governador aponta "articulação até inédita" do PSOL nacionalmente e diz não ter sido procurado sobre segundo voto
Candidato a governador de Pernambuco da federação PSOL-Rede, Ivan Moraes só tem um candidato ao Senado em seu palanque: Paulo Rubem Santiago. A despeito disso, não foi procurado pelos postulantes da chapa encabeçada pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, sobre um eventual segundo voto.
Não por falta de bom trânsito entre eles. Ivan encontrou-se com Marília Arraes recentemente em ato pelo fim da escala 6x1, também esteve com Humberto Costa nas últimas semanas. O clima passa por cumprimentos e fotos, mas nem o petista e nem a pedetista falam em apoio, nem Ivan oferece.
Numa eleição em que a disputa do Senado no Estado vem sendo marcada por múltiplas casadinhas entre chapas adversárias, considerando que há voto casado até de Marília com Mendonça Filho, do PL, e de Humberto Costa com Eduardo da Fonte, candidato de Raquel Lyra, por exemplo, esse silêncio entre os integrantes dos dois palanques, que votam oficialmente em Lula, destoa.
E ele se dá no momento em que ganha eco uma movimentação nacional do PSB, que visaria a retirada da candidatura de Ivan do páreo. Indagado pela coluna, o candidato a governador não arrodeia, mas admite que “nunca” viu os socialistas se movimentarem na direção de interditar uma candidatura do PSOL antes. Ao que o senhor atribui, então?
“O PSOL evoluiu na articulação nacional. De forma até inédita, tem poucos candidatos. Decidiu fazer alianças com partidos no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Ceará...”, sublinha Ivan. Eventual avanço dessa estratégia socialista poderia atingir candidaturas prioritárias para o PSOL, como Manuela d´Ávila (RS) e Áurea Carolina (MG), em caso de o PSOL não recuar em Pernambuco.
Em outras palavras, Ivan traduz: “O PSOL não sofria isso antes porque não se articulava com ninguém”. E detalha: “Essa é uma eleição interessante no Brasil. O PSOL compreende que, em muitos lugares, é preciso formar alianças maiores, principalmente para isolar a direita e extrema-direita. Em Pernambuco, entendemos que a extrema-direita não tem candidato”.
Questionado sobre dar o segundo voto em Marília ou em Humberto, devolve sucinto: “Ainda não houve gesto da parte deles que nos faça entender que eles querem esse tipo de diálogo”.
“João é de centro. Raquel é de centro”
Ao analisar o cenário pernambucano, Ivan Moraes diz que o PSOL não vê Raquel Lyra como extrema-direita. “A gente não precisa se associar ao centro e à centro-direita. Aqui em Pernambuco, temos duas candidaturas de centro”, define, referindo-se à governadora e a João Campos. “João é de centro e Raquel é de centro”, reforça, argumentando o porquê de seu partido sustentar seu palanque no Estado.
Segundo voto
A federação Rede-PSOL, “por enquanto”, não está indicando nenhum outro voto que não seja em Paulo Rubem. “Naturalmente, a gente deseja que o eleitor vote em candidatos que apoiam Lula”, observa Ivan Moraes.
Cardápio do Planalto
Com agendas sucessivas em Brasília nos últimos dias, o senador Humberto Costa almoçou com o presidente Lula no Palácio do Planalto na última quarta-feira (12). A ele, o líder-mor do PT externou preocupação com a importância que o Senado representa na eleição deste ano. Há de ser um bastião, argumentou, diante do intuito da extrema-direita de garantir maioria. A conjuntura de Pernambuco também foi à mesa. Na quinta-feira (13), Humberto gravou com Lula e, ontem, mais uma vez.
Em cena
Em Brasília, ontem, João Campos e o presidente Lula gravaram um vídeo mais longo pra usar no programa eleitoral do ex-prefeito do Recife. Depois, novas tomadas de imagem se deram para um vídeo mais curto com toda a majoritária, incluindo Humberto Costa, Marília Arraes e Carlos Costa.
Mapa
João Campos e Lula conversaram sobre cidades de Pernambuco que poderiam constar no roteiro do presidente. O mandatário do Planalto fará visitas por blocos regionalizados, priorizando os palanques estaduais onde precisa ampliar sua votação, caso do Sudeste, e dos mais tradicionais do Nordeste, onde Pernambuco figura.
Périplo
Depois de receber o apoio do prefeito de Jaboatão, Mano Medeiros, nesta sexta-feira (14), o candidato ao Senado, Eduardo da Fonte, deve, na próxima segunda-feira (17), ver o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, também declarar voto a ele. Aliados anotam que as derradeiras conversas ocorreram no final desta semana. Quem também deve acenar ao progressista é o deputado federal Renildo Calheiros.