Mendonça: "Não atrapalha em nada"
Candidato avalia declaração de Raquel Lyra à CNN e Lavareda aponta eleições senatoriais mais coladas na eleição presidencial
Publicado: 08/08/2026 às 00:00
Mendonça não titubeia ao declarar voto em Raquel Lyra ainda que não esteja no palanque dela (Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados | Rafael Vieira/DP Foto)
Candidato ao Senado pelo PL, Mendonça Filho não se furta a enfatizar o apreço que nutre pela governadora Raquel Lyra. Muito menos titubeia ao afirmar que seu voto é dela. Nem o movimento da governadora de declarar, em alto e bom som, que ele não é seu candidato, faz ele mudar sua linha.
“Não acho que isso atrapalha em nada”, observa ele à coluna ao ser indagado sobre a declaração dado por ela à CNN na última quinta (06). E segue taxativo: “Sempre ficou claro que apoio ela na sua campanha ao governo”. À CNN, Raquel dissera o seguinte: "O PL lança um candidato avulso. Tenho todo o respeito por Mendonça, mas ele não é o nosso candidato a senador da República".
Há aliados avaliando que, independente do que diga a governadora, Mendonça “já subiu no palanque dela”. Há quem questione o fato de o ex-governador não ter um palanque encabeçado por um candidato a governador para chamar, formalmente, de seu.
O detalhe é que, a despeito de vinculação, ou não, com a gestora do PSD, o projeto de Mendonça ganha vulto num momento que pode ser estratégico para ele. Especialistas anotam um aumento vigente da percepção de que o voto do brasileiro está cada vez mais vinculado à eleição presidencial e não a de governador, como outrora era tradição.
Indagado pela coluna sobre a relevância do palanque, o cientista político Antonio Lavareda faz a seguinte análise: “Historicamente, eleições senatoriais eram ligadas a governador. Desde 2018, isso mudou substancialmente. Eleições senatoriais passaram a ficar mais coladas na eleição presidencial”.
À coluna, Lavareda detalha: “Foi isso que elegeu Teresa (Leitão). Ela foi eleita sem dependência do guarda-chuva da Frente Popular. Estava coligada com o PSB, mas não foi votada como senadora de Danilo (Cabral), foi votada como senadora de Lula”. Lavareda se refere a 2022, quando Danilo perdeu a eleição, mas Teresa saiu eleita.
A eleição de senadores virou uma prioridade, este ano, tanto para o PT, como para o PL, partidos que polarizam a corrida no País. Presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, à coluna, já declarou haver, nesse conjunto, "um foco no combate à ditadura no Supremo”. Além de a renovação ser de dois terços este ano, é pela Casa Alta que transitam pautas como a indicação de ministros, por exemplo.
A eleição do Senado passou a ser vista como a segunda prioridade nacional. É nesse contexto que Mendonça figura com a chamada candidatura avulsa, o que também explica ele não se doer com o fato de Raquel Lyra não o hospedar em seu palanque.
Voto "Marília Mendonça"
Na ala liderada por Mendonça Filho, o fato de o Podemos ter declarado apoio, no mesmo dia, a ele e a Eduardo da Fonte, não configura um movimento sistemático nem tem a ver com estratégia de segundo voto. Nas coxias, o que se fala é que Mendonça tem voto casado até com o eleitor de Marília Arraes e isso já está sendo chamado de “voto Marília Mendonça”.
Estrutura à parte
A estratégia de Mendonça Filho, avalia Lavareda, “é ter os votos do bolsonarismo em Pernambuco”. Isso, ele prossegue, “somado aos votos de acordos políticos”. Lavareda define esse voto do da direita como “um voto que comparece”. Leia-se: não depende de estrutura para ser assegurado. “Com esses apoios, e ele tendo o voto bolsonarista, é fortemente competitivo”, conclui.
Fatia
Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve, no 2º turno, 33% dos votos no Estado, ante 66,9% de Lula. Em 2018, Humberto Costa foi eleito senador com 25,7% dos votos e Jarbas Vasconcelos, com 21, 51%. No grupo da direita, a conta que se faz sobre a eleição de Mendonça Filho é com base nesses percentuais, ou mirando um terço dos votos.
Me dê...
Ao emitir nota oficial rompendo com Marília Arraes, Álvaro Porto não entrou em detalhes. Mas, como a coluna cantara a pedra no último dia 15 , nos bastidores, já circulava, entre pessoas próximas aos dois, que Marília hipotecara sua primeira suplência a Alvinho Porto, filho do presidente da Alepe, mas teria voltado atrás.
...motivos
Na nota, Álvaro alegou que Marília “demonstrou dificuldade em cumprir aquilo que foi acordado”. Alvinho foi prefeito de Quipapá. Quando o nome dele desidratou, o outro que ganhou força para a vaga foi Arlen Pereira, braço direito do prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá. Arlen também não prosperou e foi sucedido, na fila, por Luciano Vasquez antes que Fernando Bezerra Coelho também recebesse convite. Mas o martelo acabou batido sobre o nome do sobrinho de Lula Cabral, Abel Neto.
Suplências
Não está descartado que Fernando Dueire venha a ser o suplente de Túlio Gadêlha, enquanto a hipótese de André Teixeira figurar na suplência de Eduardo da Fonte também ainda estaria sob avaliação. Com Adriana Ferreira já confirmada na primeira suplência de Mendonça Filho, o martelo também foi batido em Alcides Cardoso para a segunda.