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Ciranda global dos juros: Por que o Brasil está na contramão do mundo

Comitê de Política Monetária, o Copom, reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75%. O corte, pela quinta vez consecutiva, contrasta com as decisões recentes dos BCs dos Estados Unidos, Japão e países europeus. Apesar do corte, país segue com a maior taxa de juros real do mundo

Por Pedro Ivo Bernardes

Reunião do Copom debate sobre a taxa básica de juros da economia brasileira

A terceira semana de setembro terminou com um giro de atualizações nas políticas monetárias mundo afora, com o Brasil reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75%, em contraste com as decisões nos Estados Unidos, Japão e Europa (altas de 0,25 ponto percentual). As atuações dos bancos centrais respondem ao cenário global de pressão inflacionária ainda causada pelos conflitos no Oriente Médio, mas porque o Brasil segue na contramão da tendência mundial?

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar os juros pela quinta vez consecutiva responde a estímulos domésticos, que vem sendo traduzidos em redução da inflação. Em agosto, por exemplo, o IPCA (índice oficial da inflação brasileira) apresentou um recuo de 0,32%, o maior para um mês desde agosto de 2022. No acumulado do ano, a inflação está em 3,11% e, em 12 meses, em 4,22%.

Patamar elevado explica a contramão

O fato de o Brasil baixar os juros enquanto as maiores economias do mundo e os países emergentes estão aumentando não significa imunidade ao cenário global, apenas indica que o ponto de partida brasileiro foi bem mais elevado. A medida não representa uma inversão da política, afinal o Banco Central não está partindo para o estímulo à economia, apenas está afrouxando o aperto.

No comunicado divulgado após a decisão sobre a Selic, na última quarta-feira (16), o Comitê afirmou que a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante e também implica suavização das flutuações da atividade econômica e fomento do pleno emprego.

A autoridade monetária avalia que ambiente externo permanece incerto e, internamente, os indicadores mostram uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido.

Maior juros reais do mundo

O Copom, no entanto, evitou telegrafar seus próximos passos, assim como já tinha feito na reunião anterior. Há, no entanto, a percepção de que os juros podem continuar em queda em virtude da grande diferença em realação às taxas nos Estados Unidos, Europa e Japão. Além disso, a taxa real de juros (descontada a inflação), garantiria essa margem.

Em termos nominais, o Brasil tem agora a quarta maior taxa de juros do mundo, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%). Em termos reais, no entando, segundo a consultoria financeira MoneYou, o Brasil segue com a maior taxa do mundo, com 8,45%. Na sequência vêm Rússia (6,79%), Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%).

No final das contas, para o cidadão comum esse é o parâmetro que importa: os juros que pesam no bolso. A taxa real é a que dificulta a população brasileira de sair da situação de inadimplência. Contraditoriamente, esse nível de endividamento das famílias é o que reduz o consumo e a pressão inflacionária, permitindo um certo alívio no aperto orçamentário.