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Festival de Circo do Brasil anuncia programação da 20ª edição com nomes nacionais e internacionais

Com o tema Rebuliço, evento acontece de 30 de outubro a 8 de novembro, reunindo espetáculos, atividades gratuitas, cinema, artes visuais e ações formativas no Recife e na Região Metropolitana

Diario de Pernambuco

Publicado: 22/10/2026 às 14:48

 A abertura oficial acontece em 30 de outubro, a partir das 18h /Foto: Sérgio Fernandes

A abertura oficial acontece em 30 de outubro, a partir das 18h (Foto: Sérgio Fernandes)

O Festival de Circo do Brasil chega à sua 20ª edição reunindo artistas nacionais e internacionais em uma programação que ocupa teatros, parques e espaços culturais do Recife e da Região Metropolitana, de 30 de outubro a 8 de novembro. Com o tema "Rebuliço", a edição comemorativa celebra duas décadas de trajetória e destaca a diversidade do circo contemporâneo, em diálogo com o teatro, a dança, a música, o audiovisual e as artes visuais.

A abertura oficial acontece em 30 de outubro, a partir das 18h, no Paço do Frevo, com entrada gratuita. Entre as atrações estão Frevo Rebuliço, performance da multiartista pernambucana Beatriz Nascimento; Isla of Flightless Birds, da Companhia Através, de Portugal; Bath-Flop, da francesa Barbara Probst; e Hold On, experiência em realidade virtual da Cie Fheel Concepts, também da França.

A noite inclui a abertura da exposição de artes visuais Rebuliço, da Casa do Cachorro Preto, com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira, e o lançamento do livro Somos Todos Rios – Uma Vida de Circo do Asfalto, de Raquel Lima, Fran Marinho e Douglas Marinho.

Para Dani Hoover, diretora e curadora do Festival, o tema sintetiza a trajetória do evento e seu compromisso com a renovação artística. “Rebuliço é movimento, mistura, transformação e festa. Queremos celebrar esses 20 anos sem perder de vista o que o circo está criando hoje, os diálogos entre diferentes linguagens e os encontros que aproximam artistas e públicos de diversas origens. É essa inquietação que mantém o Festival vivo”, afirma.

Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, o Parque Santana - Ariano Suassuna, no Recife, concentra uma programação gratuita com espetáculos circenses, música, manifestações da cultura popular, feira de economia criativa e atividades para todas as idades.

Entre as atrações internacionais estão B.O.B.A.S., da espanhola Cia Jimena Cavalletti, que transforma um cortejo fúnebre marcado por imprevistos em uma comédia musical, e MDR – Muerte de Risa, do grupo Los Galindos, também da Espanha, uma farsa de humor ácido sobre amizade, culpa e justiça. A argentina ManoAmano apresenta Kinematos, em que dois acrobatas desafiam o equilíbrio a seis metros de altura.

De Portugal, chegam Isla of Flightless Birds, da Cia Através, que explora as relações de confiança e colaboração por meio da construção de um mastro chinês, e Um Belo Dia, solo de Dulce Duca que combina circo, dança e teatro físico em uma abordagem poética sobre a liberdade feminina. A companhia paraibana Circo do Asfalto completa a programação de espetáculos com Gran Circo Opará, inspirado nas histórias e tradições das comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, e com o Show da Percha, onde uma dupla de palhaços explora o humor e a acrobacia por meio da percha de equilíbrio.

A cultura popular pernambucana ganha espaço com o Samba de Coco Raízes de Arcoverde, no sábado (31), que preserva o legado de Mestre Lula Calixto e a tradição do trupé, pisada característica do coco de Arcoverde. No domingo (1º), o Maracatu Nação Erê realiza um cortejo de baque virado protagonizado por crianças e adolescentes.

Durante os dois dias, o público também poderá visitar a Feira Na Laje, com gastronomia e economia criativa, e participar das Vivências Circenses, conduzidas pela Cia Brincantes do Circo (PE), com atividades de acrobacia, malabarismo, equilíbrio e técnicas aéreas. No domingo, um aulão de yoga abre a programação às 10h. As apresentações circenses começam a partir das 14h, além da Oficina e Vivência Artística Orun Pra Erê, conduzida pelo artista e educador Orun Santana, que aproxima crianças das tradições afro-pernambucanas por meio de danças populares, jogos corporais e brincadeiras que valorizam a ancestralidade e a expressão cultural.

Espetáculos nacionais e internacionais ocupam os teatros
A programação nos teatros reúne produções do Brasil, da Argentina, da França e do México, com espetáculos que transitam entre acrobacia, dança, teatro físico, música e palhaçaria, abordando questões como identidade, ancestralidade, resistência e relações humanas.

No Teatro de Santa Isabel, a argentina Sofía Galliano apresenta Velar la Noche, em 5 de novembro, uma investigação sobre a ancestralidade feminina que combina dança, teatro físico e técnicas aéreas. Nos dias 6 e 7, o Coletivo Instrumento de Ver (DF) leva à cena Assum Preto, obra que articula acrobacia, dança e referências afro-brasileiras para abordar o racismo e a resistência.

O Santa Isabel recebe ainda, em 8 de novembro, Rebuliço no Cabaré das Palhaças, criação inédita do Palhaças Futebol Clube (PE), concebida especialmente para a 20ª edição. O espetáculo transforma diferentes ambientes do teatro em espaços de intervenção, com números e esquetes que envolvem o público desde a chegada, sob a lógica irreverente da palhaçaria feminina.

No Teatro do Parque, o Coletivo Prot{agô}nistas (SP) apresenta {FÉ}STA, nos dias 7 e 8 de novembro. A montatem reúne acrobacia, música ao vivo, dança e poesia em uma abordagem sobre espiritualidade e experiências do corpo negro em diáspora.

O Teatro Apolo recebe El Folk Chou!, do grupo mexicano Les Cabaret Capricho, nos dias 3 e 4 de novembro. Sem falas, a comédia mistura palhaçaria, teatro físico e referências ao folclore mexicano. No dia 5, a pernambucana Cia Devir apresenta gratuitamente Nove Tentativas de Não Sucumbir. Já nos dias 7 e 8, a francesa Barbara Probst retorna ao palco com Bath-Flop, espetáculo de comédia física que transforma uma banheira em ponto de partida para situações inusitadas.
Os ingressos para as apresentações pagas estão disponíveis na plataforma Sympla, com valores entre R$ 10 e R$ 60.

Programação gratuita chega a diferentes territórios do Grande Recife
A programação gratuita se estende a espaços culturais do Recife e de Olinda. Na Oficina Francisco Brennand, o espanhol Joan Català apresenta duas sessões de Idiòfona, em 7 de novembro. A obra explora as possibilidades sonoras de objetos metálicos em uma instalação construída com a participação do público.

No dia 4 de novembro, às 19h30, a Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, recebe Circo Science – Do Mangue ao Picadeiro, da Trupe Circus (PE). No mesmo horário, o Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar, em São Benedito, Olinda, será palco de Sementes do Riso, dos Palhaços Sem Fronteiras Brasil.

Em Camaragibe, a companhia Circo do Asfalto (PB/RN) apresenta Show da Percha, no dia 3 de novembro, em frente à Escola Municipal São José, em Aldeia, em uma atividade voltada aos estudantes e à comunidade local.

A agenda inclui ainda Mau Perdedor, do argentino Tato Villanueva, espetáculo de humor físico protagonizado por Ferdinand, um estrangeiro que não compreende o idioma local e enfrenta uma sequência de desafios absurdos. Entre fracassos e situações inesperadas, a montagem explora a comunicação para além das palavras.

“A presença do Festival em equipamentos culturais e espaços comunitários amplia o acesso à arte circense e fortalece o diálogo com públicos de diferentes territórios. Queremos que o circo chegue cada vez mais perto das pessoas”, destaca Dani Hoover, diretora e curadora do evento.

CINEMA, ARTES VISUAIS E LITERATURA

O Cine Circo, realizado de 4 a 8 de novembro, em parceria com o Cine Apipucos, apresenta cinco longas-metragens em sessões gratuitas ao ar livre, no Parque Apipucos. Com curadoria de Luiz Joaquim, a mostra percorre diferentes histórias e perspectivas sobre o universo circense.

A programação começa no dia 4, às 19h, com "O Circo Voltou", de Paulo Caldas, documentário sobre a trajetória de Zé Wilson e a renovação do circo brasileiro. No dia 5, também às 19h, "Os Pobres Diabos", de Rosemberg Cariry, acompanha uma trupe itinerante pelo sertão nordestino. "Mambembe", de Fábio Meira, mistura ficção e realidade para retratar a vida de mulheres circenses, no dia 6, às 19h30. Já "O Palhaço", de Selton Mello, aborda a crise de identidade de um artista em busca de novos caminhos, no dia 7, às 18h. Encerrando a mostra, "O Circo", clássico de Charles Chaplin, leva as trapalhadas de Carlitos ao picadeiro, no dia 8, às 16h30.

Nas artes visuais, a exposição Rebuliço, da Casa do Cachorro Preto, reúne obras de 17 artistas pernambucanos que exploram o imaginário circense por meio de desenhos, pinturas e esculturas. Com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira, a mostra permanece em cartaz no Paço do Frevo até 29 de novembro.

A literatura marca presença com o lançamento de "Somos Todos Rios – Uma Vida de Circo do Asfalto", livro que revisita mais de duas décadas de trajetória da companhia paraibana Circo do Asfalto, entre viagens, processos criativos e encontros com comunidades brasileiras.

FORMAÇÃO, CRIAÇÃO E INTERCÂMBIO

A 20ª edição também investe na formação e no desenvolvimento de novos trabalhos circenses. Entre as iniciativas está o LAB FCB – Laboratório de Pesquisa, Formação e Criação Circense, conduzido pelo argentino Tato Villanueva e voltado a artistas de Pernambuco. O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), executada pelo Governo de Pernambuco em parceria com o Ministério da Cultura.

A programação inclui ainda as residências artísticas Que Tempo é Teu?, de Camila Gatis, e A Mala, de Beatriz Nascimento, além de Pequenos Abismos, trabalho em processo de criação de Márcio Sá. O Teatro Hermilo Borba Filho recebe apresentações gratuitas dos resultados da residência de Camila Gatis, de Pequenos Abismos e da mostra final do LAB FCB, com números desenvolvidos pelos participantes selecionados do laboratório.

O Teatro Hermilo Borba Filho recebe, em 4 de novembro, das 14h às 17h, o Fala Circo – Encontro com Programadores. Pela primeira vez, o Festival reúne oito profissionais internacionais, além de uma representante brasileira, para promover o intercâmbio artístico e ampliar as oportunidades de circulação da produção circense. Participam Ana Moraes e Catarina Rebelo (Portugal), César Omar Barrios (México), Débora Ribeiro (Brasil), Gonzalo Andino (Espanha), Hélène Métailié (França), Joe Mackintosh (Reino Unido), Karim Troussi (Marrocos) e Telma Luís (Portugal).

No encontro, os convidados participarão de debates com artistas circenses e representantes das secretarias de Cultura do Estado e do Recife. A agenda inclui ainda uma visita à Escola Pernambucana de Circo, fortalecendo as conexões entre a cena local e o circuito internacional.

HISTÓRIA DO FESTIVAL

Criado em 2004 pela Luni Produções, o Festival de Circo do Brasil consolidou-se como uma das principais plataformas de circulação e intercâmbio do circo contemporâneo na América Latina. Em 19 edições, realizou mais de 700 apresentações, reuniu 360 atrações, alcançou cerca de um milhão de pessoas e ocupou mais de 230 espaços culturais.

Sua trajetória inclui passagens por diferentes cidades brasileiras e a participação de companhias de países como França, Espanha, Itália, Argentina, México, Canadá, Colômbia e Quênia, entre outros.

Em 2025, o Festival realizou sua primeira edição internacional, em Toulouse, na França, integrando o calendário do Ano Brasil-França. Desenvolvida em parceria com a La Grainerie - Fabrique des Arts du Cirque et de l'Itinérance, a iniciativa ampliou as oportunidades de cooperação entre artistas e instituições dos dois países.

Ao longo desse percurso, estabeleceu parcerias com órgãos públicos, representações diplomáticas e centros internacionais de referência, como La Grainerie (França), La TOHU (Canadá), CIRKO – Center for New Circus (Finlândia) e Central del Circ (Espanha).

Em 2026, a parceria com o Programa Iberescena foi renovada pelo segundo ano consecutivo, fortalecendo a presença ibero-americana na programação. A edição comemorativa também investe em ações formativas, encontros profissionais e atividades gratuitas, reafirmando o compromisso do Festival com a democratização do acesso à cultura e o desenvolvimento da produção circense.

Realizado pela Luni Produções, o Festival tem patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e realização do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil. Conta ainda com o suporte do Programa Iberescena 2025/2026 e o apoio institucional do Consulado-Geral da França no Recife, Institut Ramon Llull, Instituto Cervantes, Embaixada da Espanha, Governo de Pernambuco e Prefeitura do Recife.

SERVIÇO
20º Festival de Circo do Brasil - Rebuliço
Período: 30 de outubro a 8 de novembro de 2026
Local: Recife - Pernambuco
Abertura oficial: 30 de outubro, a partir das 18h, no Paço do Frevo — Praça do Arsenal da Marinha, 91, Bairro do Recife.

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