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Janela Crítica de Cinema abre inscrições para oficinas gratuitas até sexta-feira (23)

Formação faz parte da programação da 17ª Janela Internacional de Cinema do Recife

Diario de Pernambuco

Publicado: 21/10/2026 às 18:50

 /Foto: Victor Jucá

(Foto: Victor Jucá)

A 17ª edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife será realizada entre os dias 28 de outubro e 1 de novembro. A programação dos filmes sairá em breve, porém o festival iniciou as inscrições para as atividades formativas gratuitas do Janela Crítica de Cinema. O cineasta, escritor e roteirista Dodô Azevedo irá coordenar duas oficinas: "O Corpo Negro no Cinema" e "O Cinema com Raiva". As inscrições seguem até esta sexta-feira (23).

Serão disponibilizadas 8 vagas. Para se inscrever, é necessário anexar um texto crítico com, no máximo, 2 laudas no formulário de inscrição disponível neste link, disponível no perfil do Instagram do Festival (@janeladecinema). O resultado da seleção será divulgado na segunda-feira, dia 26.

O Janela Crítica foi criado na primeira edição do festival, em 2008, com o intuito de reunir pessoas interessadas na prática da crítica cinematográfica. Os selecionados são convidados a imergir na programação de filmes e a produzirem textos críticos sobre os filmes. A formação será realizada durante o festival, em formato de palestra com a análise de cenas, reflexão crítica e participação do público. Ambas oficinas têm duração de 2 horas.

O condutor da formação, Dodô Azevedo, tem mais de 32 anos de atuação no cinema, como crítico, diretor e roteirista. Mestre em Estudos da Linguagem e colunista de cultura com passagens pelo Jornal do Brasil, G1, O Globo e Folha de São Paulo, escreveu e dirigiu três longas-metragens, entre eles "Memória Tangerina", vencedor do prêmio de Melhor Longa-Metragem no BrasilCine de Estocolmo, em 2014. Como coautor da série "Os Quatro da Candelária", da Netflix, venceu o Prêmio ABRA de Melhor Roteiro de Drama em 2024. Artista plástico e curador de arte, tem obras e exposições no Brasil e no exterior, além de curador do Janela em outras edições.

SOBRE AS OFICINAS

Em "O Corpo Negro no Cinema", que tem como subtítulo Da imagem que aprisiona à imagem que inventa: estereótipos, poder e disputa pela subjetividade, o cineasta vai trabalhar o tema partir da sua experiência com a escrita da minissérie "Os quatro da Candelária" para a Netflix.

A ideia, segundo o cineasta, é conversar sobre a história das representações negras no audiovisual brasileiro, e sobre como o cinema e as séries podem transformar pessoas em tipos sociais: o bandido, o policial, a empregada, a mulher hipersexualizada, o favelado, o sambista, o corpo disponível ao olhar alheio. “A palestra parte de uma pergunta central, que é: quando um corpo negro aparece na tela, que histórias o público já foi treinado a esperar dele?”, provoca.

Com "O Cinema com Raiva - Da indignação à insurreição: a história mundial dos filmes que se recusaram a aceitar o mundo como ele é", Azevedo vai abordar as várias faces da raiva no Cinema: raiva do fascismo, do preconceito, do colonialismo, da misoginia, da transfobia.

“Não se trata de reunir apenas filmes de protesto ou obras que defendam explicitamente uma causa. A pergunta que orienta o encontro é mais ampla: como um cineasta transforma sua insatisfação com o mundo em uma forma cinematográfica capaz de perturbar o espectador? E o que acontece quando a própria linguagem do cinema — suas imagens, seus sons, suas histórias e seus silêncios — também se revolta?”, questiona.

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