Inédita no Recife, exposição de Edgar Degas e Sofia Borges chega ao Instituto Ricardo Brennand
Parceriacom o MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, mostra "Degas/Borges" está em cartaz no Instituto Ricardo Brennand a partir desta sexta (25)
André Guerra e Camila Estephania
Publicado: 25/09/2026 às 12:48
A icônica "A Pequena Bailarina de 14 anos" está entre peças expostas no Ricardo Brennand (Pedro Melo/Divulgação)
O público pernambucano verá pela primeira vez um conjunto de obras originais do artista francês Edgar Degas (1834-1917), através de uma parceria inédita entre o MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e o Instituto Ricardo Brennand. A novidade é que a exposição "Degas/Borges" que reúne as obras do artista, em cartaz a partir desta sexta (25) no próprio instituto, no bairro da Várzea, traz o olhar contemporâneo da fotógrafa Sofia Borges.
A curadoria é do MASP, assinada por Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, e a apresentação local é da artista visual e curadora Beth da Matta, dedicada ao fortalecimento da produção contemporânea no Nordeste. A exposição no Recife faz um recorte na mostra original do MASP e fica em cartaz no Ricardo Brennand até 10 de janeiro.
Colaboração entre dois museus e dois distintos tempos, o projeto reúne obras que representam diferentes aspectos da produção de Degas, como "Bailarina Fazendo a Reverência", "Bailarina que Calça a Sapatilha Direita", Bailarina Ajeitando a Cordinha da Malha" e "A Tina".
Entre os destaques está uma das obras mais conhecidas do artista e um marco da história da escultura: a célebre "A Pequena Bailarina de 14 anos", criada em 1880, que retrata Marie van Goethem, uma adolescente que estudava balé na Opéra de Paris.
"A gente usa a arte para representar nossa cultura e temos esses objetos que nos dão pistas sobre como foi a história da humanidade. Tenho muito carinho pelo tempo que estudei peças pré-históricas nas cavernas do sul da França, por exemplo. São peças de 35 mil anos atrás ou mais e é a única coisa que temos para compreender um certo tempo", destaca Sofia.
"Foi a partir desse convite para essa exposição que compreendi a dimensão de uma escultura como essa da bailarina de 14 anos. Fiquei impactada com uma escultura ter o próprio significado tão mudado. Foi mais de um século desde a criação dela, mas houve uma radical mudança de sentido dela para nós ao longo desse período todo. Isso diz demais sobre o constante aprendizado humanitário e sobre como as narrativas vão mudando conforme assimilamos melhor as coisas", continua a fotógrafa.
Estão reunidas 40 esculturas orginais em bronze de Edgar Degas. Sua produção teve papel fundamental na renovação da pintura e da escultura e influenciou a arte moderna.
"Essa é a primeira vez que a gente traz uma exposição em que presente e passado dialogam. Trouxemos algumas contemporâneas nos últimos tempos, mas, nessa, temos esse olhar sensível de Sofia diante dessa obra desse artista tão importante. Para o Instituto, é essencial trazer mais conteúdo artístico para o público e ter essa fruição entre artistas", salienta Nara Galvão, diretora do Instituto Ricardo Brennand.