Com Hermila Guedes, 'Precisamos Falar' coloca pais para discutir terrível verdade sobre seus filhos
Drama sobre dois casais lidando com violência cometida pelos filhos traz atriz pernambucana Hermila Guedes ao lado de Marjorie Estiano, Alexandre Nero e Emílio de Mello; elenco conversa com o Diario sobre temas tratados na obra
Publicado: 23/09/2026 às 19:52
Casais entram em conflito para resolver o que fazer diante de crime cometido pelos filhos (Foto: Laura Campanella)
Tensão entre pais e violência na adolescência são assunto principal do drama "Precisamos Falar", que chega nesta quinta-feira (24) nos cinemas e se espalha em uma série de outros debates. Estrelado pela pernambucana Hermila Guedes, ao lado de Emílio de Mello, Marjorie Estiano e Alexandre Nero, o longa de estreia de Pedro Waddington e Rebeca Diniz coloca dois casais para enfrentar a verdade por trás de um crime cometido pelos seus filhos.
Anna (Hermila) e Celso (Emílio) trabalham intensamente na campanha para governador do último, enquanto Marjorie Estiano e Alexandre Nero interpretam Sandra e Paulo, respectivamente a cunhada e o irmão desequilibrado do último. Quando seus filhos se envolvem no assassinato de uma moradora de rua, instala-se a discussão entre eles: esquecer o ocorrido ou entregar os adolescentes à polícia?
Baseado no romance "O Jantar", do holandês Herman Koch, o filme revela também o ponto de vista dos jovens. Michel é interpretado por Thiago Voltolini e representa a brutalidade mais convicta entre os menores. Já Rick, filho do casal mais ponderado, estava presente no episódio, mas reage de forma bem diferente do primo.
"Precisou de uma violência extrema para que os pais conseguissem enxergar quem são seus filhos. É horrível pensar assim, mas às vezes parece que a gente precisa de um recorte brutal para ver que reflexo dessas pessoas, pais e mães, estão sendo oferecidos ao mundo", afirma Hermila Guedes durante entrevista ao Diario. "A minha personagem é a que mais flerta com a sensatez ali naquele contexto e, por isso, acaba se sobressaindo".
"Acho que estamos, pela primeira vez, discutindo essa figura do 'machão'. Estamos tratando de uma violência especificamente masculina. Um grupo de meninas não faz isso, culturalmente na nossa sociedade. Os atentados em escola, por exemplo, são unidos pela característica de serem cometidos por homens, não mulheres", ressalta Alexandre Nero. "Isso é um reflexo de um mundo em que os 'machos' tem que liderar, competir, brigar. 'Precisamos Falar' se torna ainda mais atual por conta especificamente disso, mas acho que, no geral, é um filme atemporal", acrescenta.
Marjorie Estiano destaca que o filme trata essencialmente da construção de valores. "Aquele adolescente se autoriza a fazer aquilo que ele chama de brincadeira com aquela mulher por jugá-la inferior. Ele acredita que esse acesso lhe é permitido, e isso é uma concepção que vem da estrutura familiar dele. E o roteiro mergulha a gente justamente no que compõe essa estrutura ideológica meritocrata, que vê a desigualdade social como simples falta de esforço", reforça a atriz.
Emílio de Mello segue a mesma ideia. Para ele, o "Precisamos Falar" soa um alerta bastante contemporâneo e que não deve ser descartado. "É assustador saber que nossos filhos estão em contato com universos dos quais a gente não faz a menor ideia. O filme de alguma maneira tenta abrir os olhos das pessoas para discutir quem estamos preparando. Como a gente está colaborando para o futuro do mundo? São esses adolescentes que estarão participando das eleições, estarão agindo na sociedade para transformá-la".