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Épico e surrealista, longa pernambucano 'Os Vivos Caminham a Terra' estreia no Festival de Brasília

Exibição do filme no 59º Festival de Brasília do Cinema Baileirao será na Mostra Caleidoscópio, no dia 17 de setembro; o festival começa nesta sexta (11) e segue até o dia 19

André Guerra

Publicado: 09/09/2026 às 09:00

Nivaldo Nascimento é o protagonista sem nome que lidera a narrativa cheia de simbolismos e atmosfera/Divulgação

Nivaldo Nascimento é o protagonista sem nome que lidera a narrativa cheia de simbolismos e atmosfera (Divulgação)

Uma narrativa mítica e cheia de composições visuais ambiciosas representará Pernambuco em um dos principais eventos do calendário cinematográfico anual. Primeiro longa-metragem de ficção do diretor Pedro Maia de Brito, “Os Vivos Caminham a Terra” vai estrear no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que começa nesta sexta-feira (11) e segue até o dia 19 de setembro.

Com sessão marcada para o dia 17, O filme integra a Mostra Caleidoscópio, dedicada a produções de olhares diferenciados para a linguagem e narrativa, o que já demonstra ser o caso deste longa, ainda sem previsão de estreia no circuito comercial.

Descrito pelo próprio cineasta e pelo produtor Vitor Cunha como um épico espiritual que brinca com elementos de cinema de fantasia para construir uma jornada espiritual mitológica, “Os Vivos Caminham a Terra” foi todo rodado em preto e branco e não possui diálogos. Nivaldo Nascimento, que marcou presença em filmes como “O Som ao Redor” e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, protagoniza essa viagem sensorial grandiosa que atravessa paisagens do Vale do Catimbau, em Pernambuco, do Castelo de Zé dos Montes, no Rio Grande do Norte, e da Pedra da Boca, na Paraíba.

“O clima daquele período da pandemia foi, para mim e para muita gente, um momento de grande introspecção. Eu diria que fui motivado por um desejo espiritual poderoso mesmo”, descreve Pedro Maia em entrevista ao Diario. “Daí surge essa narrativa que vai da criação à trajetória de um sujeito, e o que é mais interessante no cinema que eu produzo é criar esse universo que explora um interior sobrenatural”, explica o diretor, que assina o roteiro em parceria com Luiz Otávio Pereira, Thayná Almeida e Yuri Lins.

As gravações ocorreram em 2024 e o resultado representa a versão final de uma série de transformações pelas quais o projeto passou desde que começou a ser escrito, em meados de 2019. “Temos um fio de narrativa, com esse personagem sem nome chegando em um castelo e sofrendo de uma chaga, mas, a partir dessa premissa, tudo se torna muito mais simbólico e onírico”, relata Yuri Lins. “Há toda uma abertura para uma série de regras próprias e atmosferas únicas também, para muito além da ideia de matéria. Não é um filme de simples causa e efeito. Muita coisa foi descoberta e ressignificada na própria montagem”.

Os realizadores buscaram referências que fogem ao próprio mundo do cinema e utilizaram diversas bases artísticas em “Os Vivos Caminham a Terra”, da literatura às artes plásticas, escapando da encenação naturalista ou de uma estrutura clássica. Com trilha original composta pela compositora húngara Petra Szászi, desenho de som de Nicolau Domingues, fotografia de Danilo Rosa e direção de arte e figurino de Denise Vieira, a concepção estética se torna o grande chamariz do longa, reforçando a multiplicidade de personalidade formal do cinema pernambucano que, historicamente, é consagrada nos festivais.

O próprio Pedro Maia de Brito já levou o troféu Candango em 2018, com o curta “Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados” e, em 2020, recebeu o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem da Crítica pelo documentário “Entre Nós Talvez Estejam Multidões”. O diretor enfatiza a importância do Festival de Brasília para o cinema brasileiro. “Voltar tem um peso enorme na minha carreira e me dá muita expectativa e curiosidade, especialmente por se tratar de um público extremamente engajado. Conversar sobre as impressões que vão surgir está entre as coisas que mais me animam na produção de um filme”, destaca.

QUASE CANCELADO

Apesar do peso histórico de ser o mais antigo festival de cinema brasileiro, o Festival de Brasília quase teve sua 59ª edição cancelada por falta de recursos que viriam do Governo do Distrito Federal. O anúncio do cancelamento foi feito no dia 10 de agosto, mas, no mesmo dia, a governadora Celina Leão (PP) confirmou a realização do evento. Ao longo de seis décadas, o festival só deixou de ser realizado entre 1972 e 1974, quando foi suspenso em protesto contra a ditadura militar.

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