Com edição em setembro, festival MIMO busca voltar a se fixar no calendário cultural anual de Olinda
Festival ocorre entre 25 e 27 de setembro, em Olinda, e conta com atrações nacionais e internacionais de peso, de Nação Zumbi Sinfônico e BaianaSystem à banda Tinariwen, do Mali
Publicado: 25/08/2026 às 18:20
MIMO promete fortalecer sua marca como um dos principais eventos internacionais de música do país (Foto: Tiago Calazans)
Dando sequência à edição histórica que marcou a volta da MIMO a Olinda no ano passado, o festival prepara a sua 17ª edição para ocupar espaços consagrados do Sítio Histórico entre os dias 25 e 27 de setembro. Reunindo mais de 40 atrações gratuitas, de concertos e DJ Sets a programas educativos, o evento terá como destaque a presença de BaianaSystem já no dia de abertura, além da rapper portuguesa Capicua, e promete revigorar o cenário de festivais de música em Pernambuco a partir da força de sua marca, buscando se fixar novamente no calendário cultural anual do estado.
“No ano passado, tivemos também uma edição em São Paulo na programação patrocinada. Esse ano, pelo menos 80% do patrocínio é da Petrobras e eles escolheram manter apenas aqui em Pernambuco, investindo de fato aqui em Olinda, já que é um festival de um tipo que não há no estado. A gente espera manter essa relação e conseguir realizar mais edições em Olinda”, aponta Lu Araújo, idealizadora do MIMO, em entrevista ao Diario. Por isso, a edição carioca do festival, confirmada para 19 e 20 de setembro, só foi viabilizada por conta de incentivos da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.
A edição de Olinda em 2025 ocorreu justamente após um hiato de sete anos e buscou resgatar o espírito de ponta de lança que fez parte da trajetória do evento, sobretudo entre o final dos anos 2000 e o começo da década de 2010. Para seguir nessa missão, a programação deste ano tem a presença de atrações de peso e estilisticamente diversas.
É o caso do show “Nação Zumbi Sinfônico: 30 Anos de Afrociberdelia”, no dia 27 de setembro, quando celebra o aniversário do segundo disco da banda pernambucana, com arranjos de Mateus Alves e regência de Henrique Albino para uma orquestra de 40 músicos. Já Alice Caymmi apresenta o show "CAYMMI" no dia 26, mesma data em que o Tinariwen, grupo musical do Mali, na região do Saara, sobe ao palco da Praça do Carmo como um dos destaques entre as atrações internacionais, ganhando o mundo com sua sonoridade descrita como “Blues do Deserto”.
Durante coletiva de imprensa, a idealizadora ressaltou a importância de os festivais de música enalteceram os nomes novos da música. “Muitos dos nossos grandes ícones estão indo embora. Se a gente não tiver espaço para novas gerações e não valorizá-las, vamos viver um vazio. E não podemos, porque temos muita música boa”, disse, citando a guitarrista Gabriele Leite, que abre oficialmente a programação no dia 25, com um concerto às 18h, na Igreja do Carmo. “Daqui de Pernambuco saíram grandes violonistas e diversos músicos extraordinários, então, para nós, tudo isso também está sendo um grande encontro com nossas raízes”.
De acordo com Lu Araújo, o nome MIMO, que originalmente significava Mostra de Música Internacional em Olinda, sempre foi uma maneira de lembrar que se trata de um grande evento ambientado “em Olinda”, mas que não é apenas “de Olinda”. Ela salienta a importância de grandes talentos estrangeiros da música virem tocar somente em Pernambuco durante sua passagem pelo Brasil, sem passar pelo eixo Rio/São Paulo. “Essa nossa marca é muito forte, e tem um cuidado curatorial grande. Nós somos uma referência imensa, como uma chancela mesmo, uma espécie de butique musical. Hoje, possuo excelentes parceiros com quem tenho trocas incríveis para conhecer melhor nomes que estão surgindo e que podem agregar ao festival”, disse.
O braço audiovisual do evento será reforçado nesta 17ª edição com 15 filmes, que serão exibidos ao longo dos três dias de festival no Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa. A programação inclui filmes como “Vou Tirar Você Deste Lugar”, documentário dirigido por Dandara Ferreira e que mostra a trajetória artística subversiva de Odair José, e ainda o curta-documental “O Carnaval é de Pelé”, de Daniele Leite e Lucas Santos, aclamado pelo público no Cine PE 2025.
Ao Diario, Lu Araújo destacou ainda que o apoio que recebe do poder público municipal ocorre mais na interlocução com outras esferas de investimento, como o apoio estrutural, do que no financiamento direto.
“Desde que cheguei aqui, há 23 anos, que a cidade não tem recursos para investir em um festival dessa magnitude. Esse ano, por exemplo, a gente tem o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, mas eu tenho sempre um apoio forte de Luciana Santos (ex-prefeita de Olinda e atual ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil). Ela foi fundamental para abrir esse diálogo com a Petrobras”, revelou. “Todos os poderes têm que estar envolvidos. Todos ganham. A cidade ganha, o dinheiro circula, o público tem a oportunidade de ver coisas diferentes e tudo de forma gratuita”, enfatizou a diretora.