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TEATRO

Novo livro resgata história de censura e resistência do teatro no Recife dos anos 1960

Livro "Do Picante à Política" recupera a memória do teatro recifense nos anos 1960 e revela como artistas enfrentaram censura e repressão

Allan Lopes

Publicado: 26/08/2026 às 06:00

Leidson Ferraz é autor do livro

Leidson Ferraz é autor do livro "Do Picante à Política: O Teatro no Recife dos Anos 1960" (Foto: Fábio Anjos)

Os principais capítulos da ditadura civil-militar brasileira geralmente são revisitados pela perspectiva da política, da imprensa, dos movimentos sociais ou ainda pelas marcas deixadas na música e no cinema. Mas a história do teatro também ajuda a dimensionar os efeitos da repressão, por meio das experiências de artistas submetidos à censura e das dificuldades enfrentadas pelos equipamentos culturais.

Esse cenário é reconstruído pelo jornalista e historiador Leidson Ferraz no livro virtual “Do Picante à Política: O Teatro no Recife dos Anos 1960”, que será lançado nesta quarta-feira (26), às 19h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, com entrada livre. A publicação também estará disponível gratuitamente para download no site do autor.

Na pesquisa, o autor revela a efervescência da cena teatral recifense no período, marcado pela variedade de gêneros e espetáculos que ocupavam os palcos da cidade, do teatro de revista às comédias e musicais.

“Se de um lado havia a malícia das peças cômicas, muitas delas investindo em stripteases femininas, por outro existia a tentativa de um teatro mais engajado politicamente sobreviver. Mas foram tempos de muita repressão, apesar de certa liberalidade sexual conviver com isso”, comenta Liedson em entrevista ao Diario.

A obra é a terceira etapa de um projeto mais amplo dedicado à memória do teatro recifense no século 20. Ele já havia investigado as décadas de 1930, 1940 e 1950 em dois trabalhos anteriores, mas encontrou obstáculos para avançar sobre os anos 1960 em razão da falta de preservação de documentos históricos.

Diante disso, o acervo digital do Diario de Pernambuco foi uma das principais fontes utilizadas pelo pesquisador. “Abro o livro tratando de Adeth Leite, o personagem que acho mais interessante daqueles tempos e trabalhava no Diario como crítico e cronista teatral”, conta.

Os registros são ainda mais escassos quando se trata de artistas que atuavam à margem do circuito tradicional. Ainda assim, Leidson encontrou brechas para recuperar histórias de grupos amadores e periféricos que, apesar das circunstâncias, mantiveram a produção artística durante o período.

“Foi um momento terrível da nossa história. Procurei abordar tudo o que foi possível encontrar sobre perseguições, ameaças e um clima nada fácil, especialmente pela incerteza em torno da liberação dos textos das peças e de quantos cortes seriam impostos. Que nunca mais precisemos voltar a isso”, conclui.

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